Para mim, umas das coisas mais libertadoras de receber o diagnóstico correto da UCE – urticária crônica espontânea – foi me livrar da culpa.

Um fator muito cansativo desse processo ainda demorado de saber o que temos é ficar tentando acertar o que fazemos de errado para que os sintomas aparecessem.
É bem difícil. Porque seguimos a lógica de uma alergia alimentar na maioria dos casos. Provavelmente aconteceu assim com você:

– Observe sua rotina de alimentação.
– Reveja o que você está consumindo.
– Livre-se dos corantes e conservantes.
– Evite agrotóxicos.

Na verdade, tudo isso é verdade. As nossas práticas alimentares andam mudando tanto, que é pra se desconfiar mesmo do que estamos ingerindo e do que pode nos causar. E sendo alergia alimentar ou não, tentar manter uma rotina saudável só colabora.
Mas é uma tortura sem fim tentar ficar revendo coisas que você fez pra dar resposta aos seus sintomas. Eu me sentia assim, cada vez mais cansada e culpada.

Era como se a urticária fosse minha culpa. Era terrível imaginar que estava na minha mão ficar bem e eu não estava conseguindo.

Eu que estava me fazendo mal!?

Pior ainda foi a vez que depois de tanto tentar desenvolver as dietas mais naturais possíveis, foi me dada uma nova sacada:
– Pode ser seu emocional.

Enfrentar diários de alimentação – que eram cadernos que eu escrevia diariamente tudo que comi – já era bem complicado, e mudar toda minha rotina pior ainda, mas eu já estava me habituando. Só que pensar que eu estava criando tudo aquilo por causa das minhas emoções era bem mais complexo. Porque me fazia sentir como que impedida de ter uma vida comum.

Será mesmo que meus sentimentos poderiam provocar meus sintomas diários?
O que eu estava sentindo me causava tanto mal assim?
O que será que eu posso sentir então?

Quando entendi que se tratava de uma doença auto imune, e de característica espontânea eu consegui tirar um peso muito grande que eu carrega comigo. Porque eu havia entrado nessa ideia de que eu provocava meus sintomas, e que estava na minha mão saber o que eu fazia. Meu desgaste foi ter tentado encontrar isso por tantos anos, com todo afinco e fé necessária, mas nunca ter tido êxito.

É meio complicado receber um diagnóstico de uma doença que é crônica e que é desenvolvida pelo seu próprio organismo. É tão difícil de entender quanto de explicar, rs.

Eu lembro da sensação que tive de “eita, não é nada sobre mim.”
É como se eu não pudesse me ajudar. Nem tava na minha mão.
Para quem passou uns 10 anos tentando fazer o que fosse possível pra eliminar um vilão, descobrir que não se há vilão algum é meio que ilógico.

Mas sabe de uma coisa?
Foi o alívio que eu precisava. Foi o perdão que recebi pra uma culpa que nunca foi minha. Foi minha chance de olhar pra mim mesma e pensar “ufa, essa batata quente não estava comigo esse tempo todo.”
Sim, eu tentei fazer meu melhor. Revi alimentação, mudei hábitos. Melhorei muito com isso tudo. Mas não era nada sobre o que eu comia. Sobre o que eu fazia. Sobre minha euforia ou os dias de tristeza.
Não precisava engolir mais minha vontade de sentir. Ou me pesar pelo dia que eu não sabia daquele ingrediente.
Eu não precisava mais investigar pêlo no ovo. Rever cadernos e fazer testes o tempo inteiro. Não eram essas as pistas certas.

Eu encontrei a liberdade.
Eu nem preciso me desculpar.

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