por Luara Baêtas

Passado susto do diagnóstico e a retirada de um Tumor Hipofisário, aos 16 anos, iniciei minha vida acadêmica. Lá estava eu, apta ao início de uma nova fase! Com o coração que quase saía pela boca, caminhando a passos curtos e sem ritmo, entrei sem olhar pra trás. Meus olhos percorriam por todos os avisos em infinitas placas que poderiam indicar por onde eu deveria ir ou onde deveria entrar, assim como, nem tão atentamente, eu tentava ouvir o que as pessoas falavam naqueles longos corredores, que a partir daquele dia, eu iria percorrer.  Pronta para receber o tão esperado trote dos veteranos, respirei e cheia de coragem, fui viver aquela nova vida que me esperava.

Apesar da mistura de sentimentos que todo jovem tem nesse dia, para mim ainda pairava questionamentos e inseguranças a mais. Pós operada da hipófise que ainda estava “pegando no tranco”, deveria escolher um lugar estratégico para me sentar, já que a falta da produção endógena de hormônio antidiurético me fazia, obrigatoriamente, ter que ir incontáveis vezes ao banheiro.  Era um tanto quanto fora do padrão!

– “Porque essa menina sai tanto de sala?”

Sobre isso, nada poderia fazer. Respeitei meu corpo que aos poucos chegava em seu lugar e me abri para aceitar as infinitas maravilhosidades que aquele novo mundo me oferecia.

A certeza de que o curso de Fisioterapia seria um pilar para o meu futuro me dava garra para estudar, fazer pesquisas, noites em preparos para provas (não pelas notas, mas pela convicção do que estava sendo construído passo a passo). Anos depois, tudo faria ainda mais sentido!

Paralelo à Faculdade, muitos eram os grupos de amigos aos quais, animadamente me agremiava; além de claro, levar constante e fortemente, pela minha existência, todas relações criadas até então.  A dança, torcer pelo meu time do coração e amar futebol,  atuar em campanhas solidárias, fazer viagens e estar em família, também sempre foram elementos de rico valor, sempre fizeram parte de um mundo no qual sempre fiz questão de encher de cor. Conhecendo e vivendo sobre o amor, fazendo graça e criando oportunidades que produzissem mais conhecimento e assim felicidade em MINHA VIDA.

Reunir pessoas, identificar objetivos comuns, estar em constante crescimento, e sempre com muita disposição para a realização de desafios, eram características ainda mais latentes àquela época. O gás para seguir em frente e realizar mais e mais, se renovava a cada dia… não importava o esforço, cansaço, horas de trabalho, preço. Eu sempre estava pronta para mais um passo, até que em junho de 2008, a própria vida me deu um primeiro sinal.

Fui parar no Hospital com enjoo, vômitos, fadiga e outros tantos sintomas. Por 1 mês fiquei internada para inúmeros exames e os médicos, ainda sem entender o que acontecia, hipotetizavam a recidiva tumoral. Ali estava o meu primeiro surto de NMO! Mas retornei para casa após esse tempo de pausa/ procedimentos e recuperei aos poucos espontaneamente, voltando ao mesmo pique de sempre. Nesse período a faculdade finalizada com sucesso, pós encaminhada e já empregada como fisioterapeuta de uma grande empresa, entrei em novo ciclo e novos ares.

No ritmo certeiro e na ânsia de querer cumprir todas as minhas metas propostas, colocava meu corpo no limite, com a certeza de que nada poderia me parar! Até que a vida novamente me parou em 2014, naquele momento com mais sintomas, com maior grau de acometimento e ainda mais sintomas. Mas só, em 2015, após imagem de Ressonância Magnética, 7 anos mais tarde, foi verificado uma Lesão extensa do bulbo a C4, era a NMO, e então iniciei o tratamento. Acham que parei? Com um pouquinho de resultado já voltei fazendo adaptações, reinvenções para atuar como profissional de uma forma diferente. Fui desafiando e sendo desafiada até que em agosto de 2018, a luta ficou diferente com um novo cenário. Em 2019, em internação avaliativa, por conta da piora do quadro, foram identificadas mais 2 doenças associadas, também autoimunes: Behçet e Miastenia. E BOOM! O que já estava desafiador, começou a ter um MIX a mais de emoções.

Sigo tratando de todas elas e dos sintomas que fazem parte desde kit. Mas como sempre, continuo em constante aprendizado. E só de digitar essa palavra: “aprendizado”, já me veio uma série de interpretações que tive durante toda essa trajetória. Sobre elas, prefiro deixar para outro encontro que podemos ter, o que acha?

Mas antes de me despedir, faço questão de responder uma dúvida que pode brotar na sua leitura:

– “Será que ela parou?”

Aproveito para fazer outra pergunta:

– “O que é parar para você?”.  Ou ainda, o que é movimento para você?

Permaneço presente (atuando no terceiro setor) na Liderança, do Grupo Girassol, já em seu décimo ano, o Grupo da NMO Brasil e Minas, agora também como parte do time CDD, dentre outras. Como disse antes, esta é a minha essência! Não perco meu desejo e esperança por mim mesma e nem mesmo pelo outro. Atualmente, minhas sessões de Fisioterapia são feitas nas ALMAS e CORAÇÕES de cada pessoa em ainda posso e poderei atender através destes canais de pura humanidade!

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