por Fabiana Del Ri Barbosa

Meu nome é Fabiana Dal Ri Barbosa, moro em São Carlos, SP, tenho 44 anos e com essa idade tenho em minha memória que informações sobre saúde na vida da mulher eram bem precárias, praticamente inexistentes.

Assim, podemos dizer que o assunto, infelizmente é pauta recente, nas discussões de políticas públicas.

Como consta em “alguns artigos” publicados, a saúde da mulher começou a ser valorizada em meados do século xx, mais nos anos 70, se preocupando com os cuidados da mulher gestante e do momento do parto. A visibilidade da Saúde da mulher cresceu após esses anos, visando maior qualidade de vida e bem estar no momento do planejamento familiar, direitos sexuais e reprodutivos.

Como cada mulher tem uma necessidade diferente na saúde, em 2019 o Ministério da Saúde criou um protocolo para auxilia-las.

Primeiramente, se fala em garantir que nós devemos fazer uma alimentação saudável, quando somos mais propensas a ganhar mais gorduras, assim ficarmos obesas e termos propensão a outras doenças.

Por conseguinte, vem a necessidade de cuidarmos da saúde mental. Uma vez que cuidarmos das nossas emoções e sentimentos nos ajudam a chegar a um equilíbrio da saúde em geral.

Desse modo, acompanha o cuidado primordial de conhecermos e falarmos sobre sexualidade, sobre prazer, desejo, ternura, amor, tudo que envolve o nosso fator psique/cultural. Em cada fase da vida a mulher tem uma necessidade diferente de falar sobre a sua sexualidade.

Da adolescência, em suas descobertas e dúvidas até a maturidade, também com suas necessidades. Das explorações, dúvidas, medos, passando pelo momento da mulher adulta. Cheia de planos, desejos, conquistas, incertezas e indecisões.

Assim sendo, o cuidado na saúde da mulher os dos mais importantes, é conhecer o seu corpo. Não há como prevenir doenças sem nos conhecermos.

A mulher é um ser tão especial, que todos os nossos órgãos estão escondidos, são internos. Por isso, acredito que o quanto mais nos tocarmos, nos conhecermos, mais iremos nos proteger.

Por consequência, vem os cuidados dos exames de rastreamento, os de HIV e DST/ IST. Ainda o SUS, disponibiliza os métodos anticoncepcionais de escolha da mulher e seu médico para ajudar.

Dentro deste mesmo protocolo que visa um bem estar na saúde da mulher, há um grupo de apoio para ajudar mulheres que sofrem de violência doméstica.

E por fim, disponibiliza práticas saudáveis para os sintomas comuns durante os ciclos menstruais, no climatério/menopausa e ajuda no planejamento de uma gestação saudável.

A saúde da mulher está bem assistida pelo Sistema Único de Saúde, por isso devemos defendê-lo.

Falta divulgar a existência dessas possibilidades as mulheres de baixa renda que não tem acesso a tecnologia e fiscalizar se o Estado está cumprindo com as necessidades básicas dos cidadãos para que a mulher possa desfrutar de seus direitos garantidos com lesse protocolo.

Infelizmente os números ainda são assustadores, o câncer de mama causa mais óbito entre nós mulheres, perdendo apenas para o câncer de pele. Portanto, existe uma extrema necessidade de disseminar informações sobre os riscos de não se prevenir, não manter o auto-exame em dia e não realizar os exames de rastreamento no período certo.

A minha experiência como mulher buscando atendimento na saúde, aconteceu desde muito cedo, logo que iniciei as minhas relações sexuais procurei uma ginecologista para tomar anticoncepcional e fazer exames de prevenção.

Na época, eu tinha muita acne e a dermatologista pediu que eu tirasse a dúvida se eu tinha ou não ovários policísticos? Portanto, já iniciei os exames de ultrassom transvaginal muito cedo.

Depois sempre fiz os meus exames de rastreamento na época certa.

Inclusive tive um episódio que, realizando o papanicolau regularmente, pude combater uma infecção que viria por uma queda ll no sistema imunológico. Uma possível candidíase. Precisei tomar o medicamento de prevenção e a doença não se manifestou.

Antes disso, tenho em minha memória uma lembrança, que quando criança, tive uma irritação na vagina, ardência e coceira, precisando ir ao ginecologista.

Era um tremendo tabu, uma menina de 9 anos indo ao ginecologista,

“o que será que trouxe essa menina aqui?” via essa interrogação no semblante das moças, das senhoras, das gestantes que estavam na sala de espera para serem examinadas.

Vejam bem, estou falando dos anos 80, nem sou tão antiga assim. Fui delicadamente examinada, com um cotonete, onde o médico dectou que eu realmente estava com muita irritação e a bichinha estava assada, me receitou banho de assento.

Saindo do consultório, observei aqueles olhares julgadores e curiosos.

Uma vez em que a saúde da mulher já deveria ser tratada de forma natural, por seus especialistas desde a infância. Qualquer situação que fosse relacionada com o órgão reprodutor das mulheres deveria – se procurar o profissional responsável.

A menina logo que ficasse menstruada, deveria acompanhar todas as mudanças que ocorrem em nosso corpo, por dentro e por fora.

Talvez isso seja o tão sonhado “médico da família”, que poderia auxiliar a menina até chegar o momento de ter relações sexuais, então essa mulher seria encaminhada ao ginecologista para aprender sobre prevenção de DST/IST/ HIV e gravidezes.

Retomando a narrativa de minha história, naquela época, eu ainda era uma menina, que de mulher só tinha a mãe, que admirava, desde sua beleza, seu bom gosto e sua força de fêmea que protegia e cuidava de seus quatro filhotes.

O que entendo sobre saúde da mulher é manter todos os cuidados necessários para uma melhor qualidade de vida e bem estar de vida em geral. Procurando usar todos os nossos direitos enquanto mulher, em prol da benefício de nossa saúde.

Afinal, apenas não compreendo por que não podemos continuar ser examinadas com cotonetes na idade adulta ao invez daquele bico de pato ? Risos

Fim

..

Referências:

Secretaria de Estado de Saúde – Apresentação – Saúde Mulher disponível em: https://www.as.saude.ms.gov.br/atencao-basica/saude-da-mulher/apresentacao-saude-mulher/. Acesso: 25 outubro de 2020.

Braz, Erika – 10 Cuidados Primordiais para a Saúde da Mulher disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/54007-10-cuidados-primordiais-para-a-saude-da-mulher-2 . Acesso: 25 Outubro de 2020.

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