Por Priscilla Elexpe

Olá, croniquinhos.
Teremos essa fonte de aproximação agora. Eu, pessoa que teve o diagnóstico de asma em 2013 e, desde então lida com ela, vou escrever pra vocês um pouco sobre a vida de uma pessoa asmática, sobre coisas que, pra outras podem ser simples, mas para croniquinhos como eu, tornam-se complicadas, demoradas e cheias de pausas.
Vamos lá, vou começar contando pra vocês como eu descobri que eu tinha asma.
Certa vez, eu estava dormindo, em uma das noites super frias de São Paulo e acordei com falta de ar, tossindo muito. Procurava ar pra tossir e, até pra isso, me faltava. Fui perdendo cada vez mais o ar e comecei a – spoiler de nojinho, caso tenham – vomitar muito, tossir ao mesmo tempo e foi uma farofada só. Meus pais vieram desesperados até o quarto e, coitados, não sabiam o que fazer a não ser me olhar com cara de desespero ao me ver toda vermelha, vomitada e cianotica (roxa, pros íntimos). Minha mãe, sem entender, ficou me acariciando nas costas e pedindo pra eu respirar bem (não desistam de mim, esses detalhes serão importantes pra vocês entenderem o princípio de vida do asmatico) e me acalmar. Meu pai dizia: tenta não pensar na tosse. Você consegue.
Então eu fui me acalmando e a respiração foi voltando, fui ficando rosinha de novo e a dor no peito imediatamente começou. Tudo bem, pelo menos eu respirava. Ufa.
Dia seguinte, levantar o braço e partir pro abraço com os amiguinhos, foi algo que causava dor em todo o peito. Logo nesse dia, quando fui tomar banho e prender o cabelo de frente pro espelho, eu vi logo abaixo do seio esquerdo, uma mancha grandinha, toda roxa. Fiquei preocupada, fui ao médico, fiz raio x e deu uma fissura em costela, pequena, mas era quase uma fratura, pro meu azar.
Não entendia como, até que eu tive a brilhante ideia de perguntar se era possível quebrar a costela em uma crise de tosse e, o ortopedista disse que era possível, porém não era tão comum, mas que ele já tinha visto isso acontecer em pessoas com asma. Fiquei preocupada e procurei um pneumologista, que fez todos os exames chatos e que quase provocaram outra crise, mas que me deram o diagnóstico de asma.
Amigos, eu disse que seria importante dizer os detalhes do meu momento de crise, porque se fosse eu, falando isso ao invés de escrever, eu estaria com aquelas frases dos meus pais: respira, não pensa na tosse, você consegue… isso tudo estaria na minha cabeça a cada pausa pra puxar o ar.
Então a primeira dica pros croniquinhos que estão no comecinho da vida com asma: calma, respira, não pensa na tosse, tenta não focar na falta de ar. Você consegue.
Obs: façam isso, porque quebrar costela dói muito, amigos.
Semana que vem eu volto com histórias engraçadas, outras nem tanto, sobre essa vida de tudo me tirar o ar.

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