por Suzana Gonçalves

Tudo começa com a ansiedade, um certo dia ela transforma-se em crises exacerbadas, logo te joga à um estado de tristeza, apatia e angústia constante, com muito choro, ficamos na linha tênue da culpa por não sabermos como sair dessa situação.Somos tomados por um sentimento de vergonha, um misto de interrogações, porquê comigo? Nunca achamos que um dia estivéssemos no lugar daquelas pessoas que tanto ouvimos falar, minha amiga, minha irmã, meu conhecido está com depressão.

No meu caso, comecei a sentir os primeiros sinais, após os 50 anos, tudo foi ficando confuso, um sofrimento vivenciado em “montanha russa”, dias de alegria, dias de melancolia. Juntou a fadiga com a menopausa, onde na verdade eram mais sintomas da esclerose múltipla.Sempre tentando me manter positiva, sou positiva e feliz por natureza.Mantendo minha rotina de viagens e trabalho, com menos prazer em cada passo dado, com medo de tudo, até de mim mesma.

Quando aconteceu o primeiro surto da EM em forma de neurite óptica e parestesia lateral, entrei em pânico, o processo foi muito doloroso, uma jornada tão difícil, em reconhecer a doença e suas complicações, aceitar e lidar com as mudanças repentinas, me deixaram sem norte. Foi aí que a depressão se instalou em mim, ela é silenciosa e só precisa de um gatilho para trazer até você seus danos.

Lembro da fase mais crítica, dos momentos em que nada, nenhum motivo me fazia sair da cama, do sofá, da letargia, do sofrimento contínuo.Foi muito dolorido criar coragem para tomar um banho, pentear os cabelos, voltar a falar com as pessoas, era como se tudo tivesse parado ao meu redor.

Durante esse tempo eu nunca estive sozinha, sempre ao meu lado familiares, amigos principalmente os novos com a mesma patologia, profissionais de saúde, uma rede de apoio. Dentro de mim, ainda restava uma pontinha de fé.

Aos poucos consegui fazer terapia, iniciar os tratamentos da EM e a medicação para a depressão, fazer exercícios físicos, aprender a controlar e entender a chegada da ansiedade.

Escrever diariamente foi e é fundamental pra mim, consigo expurgar todos os sentimentos ruins, descrevo os bons como vitórias, conquistas. Um verdadeiro alívio e consciência da minha capacidade de conviver com essa “sombra” que atormenta tantos seres humanos.

Os piores episódios vivi durante longos dois anos.

De sequelas ficaram a ansiedade e a claustrofobia, mas estou trabalhando para diminuir gradativamente.

A Pandemia está sendo uma prova de fogo. Ando todos os dias na “corda bamba” do medo, mas minha alegria, positividade, fé(restaurada) e vontade de viver me dão coragem, gás  extra para meu autoconhecimento e poder ajudar outras pessoas, onde o melhor remédio é partilhar nossas experiências.

Suzana Gonçalves

João Pessoa 13 de janeiro de 2021

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4 comentários em “Andando na “corda bamba””

  1. Profundo!! Emocionante!! Palavras que explode na minha mente!!
    E se eu fosse ela, Suzana? Como eu estaria? Não tenho resposta!! Pois sua força, coragem, fé e amor são ilimitados!! Mulher guerreira que tenho uma administração ímpar!!
    Seu caminhar, para mim, é exemplo do amor de Deus por nós!!
    Continue sua jornada, estarei aqui lhe aplaudindo e tentando seguir sempre seu voar!!
    Corona Emilia

  2. Maria de Fátima Bahia

    Querida Susana, sou Fátima tia de Rhahira.
    Sempre admirei sua coragem e dia Fé !
    Vc querida d uma guerreira que consegui ajudar outras pessoas com sua experiência e capacidade de ajudar ao próximo.
    Tia Susana Rha te chama assim é Germana mim chama de tia Fátima. Amizades linda a delas. Germana é está pessoa linda por dentro e por fora porque tem uma mãe como vc sabia ?
    Onde vc está não existe tristeza está é s Suzana que vc é, forte, amiga, mulher de Fé inabalável. Vc está vencendo está doença, sei que não é fácil, mais vc é forte e vai consegue superar tudo isto !
    Deus está contigo. E nunca deixe de acreditar !
    Gostei muito do ser depoimento, nos mostrou as causas da doença, mais foi um texto leve sem tristeza nem amargura. Sua vida hoje simplesmente! 🙏🙏🌹🌹❤️❤️😍

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