Atualmente, as Nações Unidas estimam que menos de 30% das pessoas pesquisadoras em áreas científicas e tecnológicas sejam mulheres. Esse número tem menos a ver com a capacidade das mulheres do que com a nossa sociedade, que ainda sobrecarrega as mulheres nos cuidados com casa, filhos e idosos, fazendo com que muitas mulheres deixem sua carreira de pesquisadora de lado ou posterguem sua produção para outro momento da vida.

Segundo Antonio Guterres, secretário geral das Nações Unidas, “Estereótipos de gênero, ausência de exemplos visíveis e políticas e ambientes sem apoio ou mesmo hostis podem impedi-las de seguir essas carreiras. O mundo não pode se dar ao luxo de perder as contribuições de metade de nossa população”, destacou, em seu discurso sobre o Dia Internacional das meninas e mulheres na ciência, em 2019. “Precisamos de esforços coordenados para superar esses obstáculos. Devemos enfrentar equívocos sobre as habilidades das meninas. Devemos promover o acesso a oportunidades de aprendizagem para mulheres e meninas, particularmente nas áreas rurais”, acrescentou Guterres.

Mas o que falta para garantirmos que meninas e mulheres possam desenvolver suas carreiras na ciência?

Primeiro, não podemos negar que as meninas não são tão incentivadas quanto os meninos a desenvolverem suas habilidades científicas. Mesmo com tantas mudanças tecnológicas no mundo, meninas são infinitamente mais incentivadas a carreiras ligadas ao cuidado do que meninos. E isso se reflete nas escolhas futuras dessas mulheres.

Além disso, mulheres que escolhem ser pesquisadoras, sofrem mais com o modelo produtivista e competitivo da nossa ciência, uma vez que, na idade em que, habitualmente estão desenvolvendo suas pesquisas de mestrado e doutorado, estão também começando seu trabalho em maternar.

Em pesquisa desenvolvida pelo grupo Parent in Science (grupo formado por cientistas mães, que resolveram encarar a missão de trazer conhecimento sobre uma questão que, até então, era ignorada no meio científico) apontou que 81% das mulheres na ciência afirmam que a maternidade teve um impacto negativo ou muito negativo em suas carreiras. Além do custo profissional da falta de apoio à maternidade, muitas delas relataram o impacto em sua saúde mental. Muitas docentes, pesquisadoras, escreveram falando de casos de depressão e problemas de saúde mental não só no puerpério, mas por dois ou três anos depois do parto.

Em matéria desenvolvida por Aline Gatto Boueri e Carolina de Assis no portal Gênero e Número, os dados dessa pesquisa são minuciosamente analisados, demonstrando que o sistema produtivista do nosso meio científico exclui as mulheres mães desse mercado, fazendo com que, mesmo que sejam maior em número na pós graduação (mestrados, doutorados e pós-doutorados), as mulheres não ocupam os postos de liderança e destaque no mundo da ciência.

Mulheres mães, sem apoio de uma comunidade para serem mães e profissionais, sofrem mais, física e emocionalmente nesse mercado. Ainda na pesquisa do Parent in Science, 45% das mulheres disseram que não têm disponibilidade para realizar trabalhos ligados à ciência em casa ou o fazem muito raramente ou com muita dificuldade, e 21% disseram que o fazem após os filhos dormirem ou de madrugada.

Podemos entender que, devemos não apenas incentivar nossas meninas a seguirem sendo o que elas quiserem ser, mas também apoiar as mulheres que conhecemos e estão tentando seguir na carreira científica. Grandes descobertas dependem desse reconhecimento e a saúde mental das nossas comunidades clama por isso.

 

Redação CDD

 

Fontes:

http://www.generonumero.media/sem-considerar-maternidade-ciencia-brasileira-ainda-penaliza-mulheres/

https://www.huffpostbrasil.com/entry/maes-e-cientistas-como-a-maternidade-e-vista-na-pos-graduacao-no-brasil_br_5c33a46de4b0f2cf2e84d0bd?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAAMtTySNlHFs-pmre7cyIZgWVBi-5ktTfVn87ngPYjgQ_CLhXZrfBe-ybLNcezQyZnLfIhv-EKlBhOLXzqriew6xU7QXyAkaaxCeQWhrqrnMMWlFpuiND_v0LoXp7Qj_7XYyu86lV4GNbBzpdMZsNTxTInTX8-zWUQ74r4VJRQpSr

https://nacoesunidas.org/em-dia-internacional-onu-alerta-para-exclusao-de-mulheres-nas-areas-de-ciencia-tecnologia/

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