Quando eu era criança, me lembro de um menino olhar as minhas mãos e me perguntar porque elas eram enrugadas e eu não soube responder. O que eu sabia é que elas são iguais as da minha mãe, além de enrugadas como de uma senhora de 80,90 anos, elas são cheias de riscas na palma. Este mesmo menino que me perguntou a respeito das mãos foi o mesmo que disse: “Suas mãos são mãos de velha” e ele riu. Acredito ter sido meu primeiro constrangimento consciente a respeito da dermatite atópica. Minhas mãos são um indício dela na minha vida. A partir dali, passei a observar mais as mãos das outras pessoas e de fato constatar que não conhecia outra mão como a minha, fora a da minha mãe.

Posso dizer que desenvolvi um gosto e um incômodo.

Incômodo, porque aquele comentário implantou nos meus pensamentos algo negativo, e eu passei a não gostar delas. Sobre o gosto, apesar de não ver a minha com bons olhos, passei a admirar algumas por aí, e de fato mãos podem ser muito bonitas e atraentes. Além de contarem uma história em alguns casos. Tem as que são machucadas ou grossas por trabalho árduo, outras delicadas, pequenas, grandes, de todos os tipos, variedades, tamanhos e texturas.

Mas ao longo de muitas observações por aí, posso contar nos dedos quantas vi semelhantes as minhas. Poucas.

Parece que a vida nos testa, nos força a enfrentar nossos medos e desconfortos. Quando fiz 16 anos, comecei a trabalhar com joias e semi joias, minha maior arma de venda, além da conversa, era mostrar a peça nas minhas mãos, seja um anel, uma pulseira, um colar, pingente, o que quer que fosse. A tática de colocar a peça no dorso da mão era o que a valorizava, e muitas vezes concretizava a venda. E as mãos de velha, nunca me atrapalharam nisso e nem em qualquer outra coisa.

Confesso que durante um tempo eu fazia as unhas constantemente na tentativa de deixa-las bonitinhas, porque não bastando ela serem diferentes da grande maioria, as unhas sempre estavam sujas de resíduo de coceira da pele. Ah, vale dizer que profissionais de unha sempre comentam a respeito ou fazem perguntas do tipo: “Você trabalha com produtos de limpeza? ”

Mas isso é uma conversa para outro texto, tenho algumas histórias a respeito…

Os aprendizados que tenho hoje seriam muito bem-vindos quando mais nova, certamente se a mesma menina da escola tivesse a maturidade que tenho hoje. Ela não se ofenderia ou ficaria triste com o comentário do coleguinha da sala, ela perceberia que ele tem razão em pensar aquilo, mas não tem o direito de rir sobre. A pessoa que eu sou hoje certamente diria isso a ele. Mas infelizmente eu tive que passar e ainda passo por experiências que me fazem perceber que o peso sobre o aspecto e aparência quem dá, sou eu. E que quando comentários surgem das mãos ou de alguma outra parte do meu corpo com dermatite atópica, acontecem, aprendi que devo dizer o que me incomoda e tenho aprendido a não responder grosseiramente no impulso da irritação, mas com amor. (em fase de aprendizado)

É uma pena mesmo elas serem enrugadas e até ásperas em algum momento, mas elas são a porta de entrada para tantas outras coisas, e a sua aparência no final das contas não afetam em nada.

As mãos podem curar, podem ferir e podem tratar. Você mesmo se fere com a mesma mão que depois te passa creme.

As mãos muitas vezes são o primeiro contato com alguém e responsáveis por uma enxurrada de sensações.

As mãos são sensíveis ao calor, ao frio, além de emotivas, nunca transpirou de nervoso ou as sentiu tremer?!.

Minhas mãos de velha, são diferentes de muitas por aí, mas não mudam em nada a variedade de coisas que podem fazer por mim, para mim e para os outros.

Por hoje é isso, com carinho Camis do @vcnaoesopele.

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