Epitáfio: reflexões para o fim do ano

É claro que apenas algumas palavras colocadas em placas de metal ou pedra, como em um epitáfio, não dão conta de resumir a vida de uma pessoa.

Por Camila Tuchlinski

Você sabe o que é epitáfio? Trata-se daquelas frases escritas sobre túmulos e mausoléus para homenagear os mortos que ali estão sepultados. É claro que apenas algumas palavras colocadas em placas de metal ou pedra não dão conta de resumir a vida de uma pessoa.

No mês passado, fui convidada para ser entrevistada em um podcast e me pediram para escolher uma música. Decidi por ‘Epitáfio’, dos Titãs, pois é uma letra que nos estimula a refletir sobre o que deixamos de viver. Mas não só sobre decisões importantes, mas dos momentos de simplicidade do cotidiano que não notamos, como reparar no nascer e no pôr do sol.

E vai chegando o fim do ano e nossa tendência é fazer uma retrospectiva do que se passou. Quais planos conseguimos executar? Quais objetivos não foram alcançados (com um certo gosto de fracasso)?

No entanto, percebo que, desde o início da pandemia de covid-19, perdemos a noção do tempo. É muito comum as pessoas confundirem acontecimentos deste ano com os de 2021. Isso pode ter diversas explicações: além da nossa necessidade de adaptação a esse ‘novo mundo’ que se impôs, com trabalhos remotos e um certo medo de sair de casa e ‘ressocializar’, nosso cérebro tem dificuldade para encontrar os marcadores que outrora localizava com mais facilidade. Então, é comum, por exemplo, não se lembrar como foi o aniversário do seu amigo que aconteceu em fevereiro deste ano.

É bom destacar também que as pessoas seguem com as urgências no ambiente de trabalho. Não à toa tem crescido os casos de Síndrome de Burnout, que é o esgotamento em relação a essas atividades. Essa sobrecarga mental não dá espaço para o armazenamento de memórias.

Tudo isso para dizer que fazer uma retrospectiva de 2022 em nossas vidas não é uma tarefa fácil. Então, você pode começar tentando se recordar sobre o que você fez de bacana que foi impedido de fazer no ápice da pandemia? Ou quais atitudes tomou para o seu próprio bem estar? E aí vale desde começar uma atividade física, passando por um check-up geral de saúde, até tomar um cafézinho com aquela amiga que não via há anos.

Se a sua conclusão for a de que não fez muito por você neste ano, se você se identifica com algumas frases de ‘Epitáfio’, dos Titãs, como ‘devia ter amado mais’, ‘ter chorado mais’, ‘devia ter arriscado mais, e até errado mais’, ‘ter feito o que eu queria fazer’, ‘devia ter trabalhado menos’, ainda é tempo de transformar as suas atitudes. Sempre é tempo de buscar o autoconhecimento.

Olhe com generosidade para o passado e com menos apego ao presente. Estou falando daquele apego que te impede de tentar fazer algo diferente, de ter experiências inusitadas que podem te surpreender positivamente até. Quando a música diz ‘o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído’ é justamente o convite a se arriscar mais, deixar o acaso te conduzir. Isso também é liberdade emocional.

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