por Barbara Rodrigues

O processo até o diagnóstico de depressão obviamente não foi fácil. Eu me questionei por muito tempo por sempre me sentir inadequada, errada ou excluída de uma situação. Me perguntava porque só eu parecia não estar satisfeita, feliz ou aproveitando a momentos. Eu fazia uma força tremenda pra sair de casa e me levantar da cama. Abrir as janelas era por obrigação mesmo. Eu passava boa parte do tempo brigando internamente comigo e tentando entender o porquê eu estava tão descontente com a vida. Não havia mais vontade ou prazer em fazer nada. Estudar havia perdido o sentido, ler não enchia meus olhos, fazer esporte passava longe da minha lista de necessidades diárias. Eu me preocupava somente em estar limpa. Ao mesmo tempo em que a TV estava ligada, isso não fazia muita diferença, uma vez que eu sequer estava presente para administrar qualquer informação que por ali passasse.

Recém saída de uma empresa multinacional e com o diagnóstico de Esclerose Múltipla nas costas, eu não queria ver, conversar ou socializar com ninguém. Lembro de sentir um cansaço sem fim. Dores que nenhum remédio ajustava e mais do que isso, pena de mim mesma. Quando finalmente me dei por mim, já estava nadando no mais profundo oceano interno que alguém poderia nadar. Eu deixava ali a minha essência se afogar e não conseguia colocar em palavras um pedido de ajuda que sinceramente saía do meu coração diariamente, mas por vergonha, medo ou ineficiência mesmo, não conseguia colocar pra fora. Me lembro de marcar uma psicóloga assim, de supetão. Acordei e digitei no google as palavras: terapia em juiz de fora (minha cidade na época). A primeira clínica tinha disponibilidade para o mesmo dia, devido a uma desistência.

Ali começava o meu processo de auto conhecimento que não terminou ainda e nem sequer vai. Somos seres infinitos e por isso, por mais que tentemos, o conhecimento sobre si mesmo é uma estrada sem fim e sem volta. O diagnóstico veio em algumas sessões e eu sempre muito questionadora, me neguei a ter um acompanhamento psiquiátrico junto a terapia por puro preconceito de minha parte. Eu, a garota descolada, morria de medo de ficar presa a remédios tarja preta e não conseguir ser mais eu mesma, sendo que eu nem sabia quem era pra ter essa opção. Depressão e ansiedade generalizada na minha cabeça nem coexistiam. Ou era um ou outro. Mas eu poderia perfeitamente entender a existência de cada um deles dentro de mim. Era tão delicioso entender que eu não era uma ET, que algo estava sim acontecendo comigo e ainda por cima tinha nome. Eu não estava sozinha nessa luta e não era nada coisa da minha cabeça.

O tempo foi passando e eu realmente precisei de uma segunda recaída pra abrir mão dos meus preconceitos e pedir ajuda a um psiquiatra. Eu fiquei muito nervosa na minha primeira consulta e fui tão reativa que meu médico acreditou que eu pudesse ter algum transtorno de personalidade, fato este descartado nas demais sessões. A psiquiatria não é uma especialidade de uma consulta. Assim como a psicologia, é necessário o profissional adentrar em partes da sua vida que sim, você não quer mexer. Mas precisa bagunçar a casa primeiro, pra depois vir arrumada, cômodo a cômodo. Eu lembro de dizer que precisava de ajuda porque já não dava conta de viver mais comigo mesma. A minha companhia se transformou em algo tão insuportável, que eu estava exausta. O tratamento tem sido eficaz no meu caso. Com altos e baixos, é claro, ainda não tive alta nem da terapia, nem do psiquiatra. Aos poucos vou entendendo que tenho dias bons e outros ruins, mas que conviver comigo não precisa ser tão penoso assim. Que eu preciso fazer escolhas e ter rotina, praticar atividade física e me obrigar a abrir as cortinas, mesmo que eu realmente não queira. Mas isso tudo é essencial. Vira um jogo de custo benefício, onde eu vivo o maior clichê do mundo: a única parte desse jogo sou eu e se eu não lutar por mim, ninguém lutará. Se você que está lendo isso está passando por um momento difícil, me escute: respira, vai passar, eu prometo.

 

Beijoos!

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