O que há de diferente na pele de lactentes, crianças e adultos com e sem dermatite atópica (DA)? Esta questão tem sido objeto de investigação científica, uma vez que os regimes de tratamento personalizados se tornaram mais disponíveis. Terapias direcionadas concebidas por dermatologistas, histologistas e outros médicos se beneficiarão de informações mais específicas relacionadas à idade e doença.

 

Fenótipos Diferentes

O exame de nível celular da pele levou os pesquisadores a determinar que os fenótipos de crianças com dermatite atópica de início precoce diferem daqueles que desenvolvem a doença mais tarde na vida. O início precoce é definido como crianças desde o nascimento até os 6 anos de idade. Fenótipo é a expressão das propriedades físicas de um organismo, como aparência e comportamento. Baseia-se em blocos de construção genéticos e é influenciado pelo meio ambiente.

 

O que é dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma condição inflamatória da pele caracterizada por uma pele escamosa e com comichão. A DA aparece frequentemente em uma idade muito jovem e pode ser crônica. O tratamento da DA é tradicionalmente baseado na supressão da inflamação e na restauração da funcionalidade da barreira da pele. Isso resulta em menos exacerbações e infecções de pele.

 

O que provoca a Dermatite Atópica?

Os pesquisadores continuam investigando quais fatores contribuem para o desenvolvimento da DA, em que idade, com quais atributos específicos podem servir como preditores de como ela pode ser melhor tratada e se ela se manifestará no futuro. Encontrar respostas para essas perguntas pode ser o próximo passo na medicina personalizada. Médicos e pacientes se beneficiarão da capacidade de alcançar as melhores terapias para os subtipos de DA, aqueles que podem efetivamente tratar ou prevenir a exacerbação da dermatite atópica. O estudo da epidemiologia e genética da DA continua a expandir as informações disponíveis sobre a origem da doença, a progressão e o desenvolvimento da marcha atópica, bem como a capacidade aprimorada de tratar pacientes com as terapias mais individualizadas possíveis.1

 

Fenótipos TH2 e TH17

Células T auxiliares (TH) desempenham um papel na regulação do sistema de resposta imune. Estudos examinando a pele de crianças com DA, adultos com DA e grupos sem essa condição, encontraram diferenças significativas nos tecidos da pele tanto nas amostras com e sem lesões. Eles refletem as propriedades da barreira funcional da pele e a capacidade de controlar a inflamação.

 

Diferenças nas células auxiliares T

As células T típicas auxiliares envolvidas são TH1, TH2, TH17 e TH22. Pesquisadores determinaram que adultos e crianças expressam a inflamação TH2, e em crianças houve evidência de expressão de TH17 e TH22 – mas não a regulação alta de TH1 que é típica da DA adulta. Os níveis de TH17 são semelhantes aos dos pacientes com psoríase e podem ser responsivos a uma estratégia de tratamento derivada de casos psoriásicos, de acordo com Emma Gutman, da Escola de Medicina Ichan, no Monte Sinai.

 

O que as células auxiliares T fazem?

As células T auxiliares estão envolvidas na regulação do sistema de resposta imune, frequentemente caracterizado pela resposta do receptor celular. A regulação negativa ocorre quando uma resposta a um estímulo é reduzida ou suprimida devido a uma diminuição no número de receptores na superfície celular. A regulação positiva envolve o aumento de um estímulo-resposta devido à presença de mais receptores na superfície celular.

 

Desenvolvimento futuro do tratamento

É provável que os tratamentos para crianças com condições de início precoce variem com base na gravidade da sua condição e na análise histológica (celular). Para alguns, tratar a barreira da pele pode ser suficiente, para outros, Guttman diz que intervenções imunomoduladoras (tratamento do sistema imunológico) podem ser necessárias para limpar a pele e prevenir a marcha atópica.1 Os imunomoduladores são medicações que ajudam a regular ou normalizar o sistema imunológico.

 

Importância da compreensão das diferenças cutâneas

Entender as diferenças na pele e reconhecer as influências genéticas e ambientais pode potencialmente mudar a forma como a dermatite atópica é tratada em crianças menores de 6,4 anos. Tanto adultos como crianças tinham anormalidades nas barreiras lipídicas da pele.

Os pesquisadores acreditam que mais trabalho ajudará a determinar se a identificação de mudanças no sistema imunológico pode prever quem desenvolverá a DA adulta e quem poderá superar a condição. O processo de desenvolvimento da doença e seu mecanismo de ação (o modo como funciona) podem responder a tratamentos que podem resultar no controle da gravidade e progressão da doença.

 

Matéria publicada originalmente em AtopicDermatitis.net

Tradução Redação CDD

Compartilhe!!!

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on linkedin
Share on google
Share on email