Luiz Alexandre Souza Ventura*

 

Profissionais de saúde convidados pelo Ministério da Saúde estão reunindo informações a avaliações para atualização do PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas) de asma no Brasil. A primeira reunião foi feita em março, com a participação de aproximadamente 20 pessoas, todos médicos. A expectativa é de que no próximo encontro, sem data definida, outros especialistas sejam convocados. A meta é ter um material completo até o fim deste ano.

Na pauta das reuniões estão as novas tecnologias de tratamentos, os medicamentos biológicos e também as necessidades de formar profissionais na identificação da asma e principalmente nos procedimentos de emergência para pacientes com crises graves.

Médicos do setor de pneumologia destacam a urgência dessa atualização há muito tempo. A última revisão foi feita em 2012. O PCDT é o documento oficial para implementação de projetos, protocolos e políticas públicas, tem impacto direto e real no atendimento ao cidadão pelo SUS (Sistema Único de Saúde), inclusive no fornecimento de remédios.

“O ideal é que o PCDT seja renovado a cada três anos. Esse longo espaço de tempo entre as revisões implica em fortes mudanças, com o que há de mais recente, no ponto de vista científico, e a incorporação de novos medicamentos”, explica o pneumologista Rafael Stelmach, presidente da Fundação Pró-Ar, especialista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/HCFMUSP) e professor do departamento de cardiopneumologia da FMUSP.

Entre as informações mais urgentes a serem adicionadas, afirma Stelmach, estão as definições sobre caracterização da doença e seus tratamentos. “Está em debate a introdução de um broncodilatador colinérgico de longa duração, mais usado para bronquite crônica e enfisema, mas que está em avaliação para asma”, diz o pneumologista.

“Outro ponto é a caracterização do tratamento para asma grave que, oficialmente , é feito com corticoide oral, mas tem sido preconizado o uso de remédios biológicos, que já estão no mercado brasileiro há algum tempo”, comenta Stelmach.

ACOMPANHAMENTO – O pneumologista ressalta que há uma discussão sobre a criação de locais específicos para esses pacientes com asma grave para hierarquização dos casos e encaminhamento a tratamentos especializados.

“No caso da asma grave, o paciente precisa tomar vários medicamentos em conjunto, entre quatro ou cinco remédios, o que eleva o custo desse tratamento. Esse gasto pode chegar a R$ 6 mil por mês”, comenta o pneumologista.

CENÁRIO ATUAL – “No setor público, estamos atrasados, com as mesmas características do começo da incorporação de remédios para asma no SUS, em meados de 2004”, alerta Stelmach.

“A incorporação de medicações com preço mais elevado está diretamente relacionada a uma atualização do sistema. E há uma necessidade de discutir na Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) a eficácia e o custo desses medicamentos”, ressalta o médico.

No setor privado, avalia o especialista, o custo dos remédios imunobiológicos é fator determinante. “As empresas querem a incorporação dos produtos, mas é fundamental definir os benefícios dessa inclusão”, completa Rafael Stelmach.

 

*Luiz Alexandre Souza Ventura é jornalista colaborador da CDD.

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