Gravidez não planejada: de surpresa e alegria a susto e desespero

Diálogo e informação são fundamentais para que mães e pais ultrapassem os desafios.

Na reportagem, você ficará sabendo que:
– Muitas pessoas são pegas de surpresa com uma gravidez, por acharem que têm problemas de fertilidade;
– Se essa gestante tiver uma companheira ou um companheiro, o diálogo é muito importante;
– Estima-se que pelo menos um quarto dos casais se separam antes do primeiro ano de vida do filho.

A chegada de um filho muda a vida de uma mulher e um homem. Essa frase tão curta carrega tantas questões que não dariam para ser debatidas em apenas uma reportagem. No entanto, vamos contar a história de duas pessoas que foram pegas de surpresa com uma gravidez não planejada. Além disso, quais são as dicas para você, leitor e leitora, para ultrapassar os desafios iniciais da criação de outro ser humano?

As reações diante de uma gestação não esperada dependem de cada realidade: Idade, se aquele casal já é parceiro ou se a gravidez não planejada aconteceu de um relacionamento passageiro, objetivos e valores de cada pessoa que forma aquele casal. Essas reações variam de surpresa e alegria a susto e desespero.

A história de Priscilla Fernandes, que mora na cidade de Estiva Gerbi, no interior de São Paulo, começa há um ano e seis meses, quando soube que estava grávida da pequena Ágata. “Comecei a sentir umas coisas estranhas, mas nem passava pela minha cabeça gravidez. Minhas parceiras de trabalho começaram a me cobrar exame dizendo que eu estava mudando o corpo, meu comportamento. E também me sentia mais cansada e tal. Mas eu estava desacreditada”, relata.

Antes de conhecer o atual marido, ela se casou aos 22 anos de idade e o relacionamento durou cinco anos. Ela sempre desejou um filho desde então e realizou diversas tentativas para engravidar. No entanto, o então esposo ingressou na carreira militar. Com suas viagens e ausências, Priscilla acabou desanimando do casamento. Depois de um tempo, ela conheceu outra pessoa e ficou três anos com ela, também sem conseguir engravidar: “Me fechei para qualquer tipo de aproximação até que mudei de emprego e conheci alguém, meu atual marido e melhor pai do mundo. Nossa história começou em abril de 2018”.

Com dois meses de relacionamento, Priscilla e o atual companheiro passaram pela gravidez não planejada. “Eu estava desacreditada, pois achava que o problema estava comigo. Pensei que jamais poderia ser mãe. Compraram um teste pra mim e deu positivo! Meu Deus, em menos de dois meses de relacionamento. E cá estamos nós, com nossa pequena muito bem criada e muito amada”, lembra.

Ao longo da gestação, Priscilla teve descolamento de placenta e quase perdi o bebê: “Mas graças à Deus ela veio com muita saúde. Agora, meus receios são em relação à criação, já que fomos criados de formas diferentes, eu e meu marido”, conclui.

Maria Rafaela França Soares, de 37 anos, também foi surpreendida com uma gravidez não planejada. Ela descobriu ao fazer um teste de farmácia após uma menstruação irregular. “Chorei com um misto de sentimentos. Foi uma emoção misturada com pânico. Os médicos sempre disseram que eu demoraria muito pra ter uma gravidez devido ao fato de o meu útero ser deslocado para a direita, que possivelmente eu precisaria de tratamento para engravidar”, relata.

A moradora de Indaiatuba, no interior paulista, havia perdido um bebê por aborto espontâneo pouco mais de um ano antes de engravidar. “Não pensava mais em ter filho, apesar do desejo de ser mãe, anulei essa sensação em mim. Na minha cabeça, quando deu positivo, fiquei vendo a situação acontecer novamente, o misto da alegria de ter um filho com o medo de perder novamente”, desabafa.

Ao longo da gestação, o medo tomou conta de Maria Rafaela: “Tive uma gravidez bem confusa quanto a isso, a ponto de eu ter medo de ir ao banheiro por suspeitar que eu estava sangrando. Conversava com a minha filha pedindo pra ela “segurar firme” que eu estava esperando. Não me preocupei com parto até o nono mês – uma doce ilusão (risos). Somente bem perto que comecei a pensar no que eu queria. Amamentação também não foi algo que eu me atentei – outra ilusão. Achei que era algo que acontecia. Na verdade estive tão focada em não perder a criança que não tive nenhum outro receio”, diz.

Praticar o diálogo com o bebê, ainda na gestação, é uma ótima opção para iniciar a construção do vínculo entre mãe e filho. A opinião é da doula Tatiana Fávaro, idealizadora da rede ativista de criação consciente Criar Filhos. Ela, que é jornalista e mãe de Helena e Francisco, acredita que a comunicação é parte da vida. “Sempre nas nossas palestras, cursos, encontros falamos da importância da comunicação com essa vida que vai chegar. E nossa comunicação começa no sentir, antes de chegar à linguagem. Se dá pra dar atenção a isso desde a concepção ou até antes dela, ótimo. Mas sabemos que não é o mais comum. Se essa mãe percebe na gestação, ela pode conversar com esse bebê. Ele não vai ter a capacidade cognitiva de registrar, mas terá a oportunidade dessa ressignificação ficar no inconsciente”, ressalta.

Para Tatiana Fávaro, essa é uma oportunidade para a mãe dizer como se sente: “Explicar que o que ela sente é dela e não desse bebê. Dizer que, como adulta, ela vai procurar uma solução e que ele não deve se encarregar disso”.

Dependendo do estado emocional da mãe que é surpreendida pela gravidez não planejada, é recomendado que busque grupos de apoio, especialistas perinatais e psicoterapia. “Não podemos nem naturalizar ou relativizar a dor dessa família nem tornar essa rejeição alvo de julgamento, transformando a situação em algo mais pesado do que a pessoa trouxe”, afirma a doula.

Além disso, existem redes de apoio muito acolhedoras, inclusive nas redes sociais, que promovem conversas e atendimentos, alguns de forma gratuita.

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