Doses de reforço e a diminuição da eficácia das vacinas contra a COVID-19: o que você precisa saber

Saiba porque uma dose de reforço do imunizante pode ser necessária para garantir a proteção contra a COVID-19

 

  • Os pesquisadores dizem que a eficácia das vacinas contra a COVID-19 diminui com o tempo, mas ainda não há a confirmação de que a idade seja um fator.
  • Eles dizem que esse declínio faz com que tomar uma dose de reforço seja ainda mais importante, especialmente com a disseminação da variante Delta.
  • Reforços anuais são comuns para outras vacinas, incluindo sarampo, gripe e tétano.

 

A vacinação contra a COVID-19 permanece altamente eficaz para evitar quadros graves causados pelo novo coronavírus.

No entanto, algumas pesquisas mostraram que a proteção oferecida por essas vacinas pode diminuir com o tempo.

É por isso que as doses de reforço estão sendo recomendadas para as pessoas que estavam entre as primeiras a serem vacinadas.

Ao contrário da rodada inicial de vacinações contra a COVID-19, no entanto, a idade pode não determinar quem receberá os reforços primeiro.

Preocupações com a eficácia

Estudos clínicos demonstraram que as vacinas de mRNA desenvolvidas pela Pfizer-BioNTech e Moderna (esta última não disponível no Brasil) tiveram mais de 90% de eficácia contra quadros graves de COVID-19.

A vacina da Janssen (dose única) foi considerada um pouco menos eficaz, mas ainda assim altamente protetora contra hospitalizações.

No entanto, os pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, escreveram no New England Journal of Medicine na semana passada que a eficácia da vacina de mRNA contra casos sintomáticos de COVID-19 havia caído para 65% em julho de 2021, com a queda atribuída à diminuição da eficácia ao longo do tempo.

“O declínio na eficácia não é totalmente surpreendente”, disse a Dra. Francesca Torriani, professora de Medicina Clínica na divisão de doenças infecciosas e saúde pública global na Escola de Medicina da UC San Diego, bem como diretora do programa de prevenção de infecções e epidemiologia clínica na UC San Diego Health.

“Dados de ensaios clínicos sugeriram que a eficácia diminuída ocorreria vários meses após a vacinação completa, mas nossos resultados indicam que, confrontada com a variante Delta, a eficácia da vacina para um quadro levemente sintomático foi consideravelmente menor e diminuiu de 6 a 8 meses após completar a vacinação”, explicou Torriani.

Jonathan H. Watanabe, pesquisador de resultados de saúde de COVID-19 e reitor associado de avaliação e qualidade da University of California Irvine, disse que a pesquisa mostra que a eficácia das vacinas de mRNA parece diminuir cerca de 6% a cada 2 meses.

Enquanto isso, um estudo de Israel concluiu que uma terceira dose de reforço das vacinas de mRNA parecia restaurar significativamente os efeitos protetores.

“Descobrimos que 7 a 13 dias após a dose de reforço, há uma redução de 48 a 68% nas chances de teste positivo para infecção por SARS-CoV-2, e que 14 a 20 dias após a dose de reforço a eficácia marginal aumenta para 70 a 84%”, relataram os pesquisadores da Maccabi Healthcare Services.

“Não há muito o que discutir em termos de administrar um reforço contra a variante mais prevalente [Delta]”, disse Watanabe.

O que saber sobre doses de reforço

Em agosto, o Ministério da Saúde anunciou que o reforço na imunização para idosos acima de 70 anos e pessoas imunossuprimidas começaria a partir da segunda quinzena de setembro.

De acordo com a recomendação, “a dose de reforço será orientada para pessoas imunossuprimidas que tomaram a segunda dose (ou dose única) há pelo menos 28 dias… [e para] idosos, acima de 70 anos, que completaram o ciclo vacinal há 6 meses.” A dose de reforço vale para quem tomou qualquer uma das 4 vacinas disponíveis (Coronavac, AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, Pfizer/BioNTech ou Janssen) na campanha nacional de vacinação contra a COVID-19.

Contudo, alguns estados anteciparam esse calendário e também expandiram as faixas etárias e grupos contemplados. Além disso, enquanto o Governo Federal determinou a preferência pelo uso do imunizante da Pfizer/BioNTech para o reforço, com o uso alternativo dos imunizantes da Janssen ou AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, alguns estados não estipularam um fabricante específico para essa dose.

Mais reforços à frente?

Outras doses de reforço também podem ser necessárias enquanto grupos grandes da população permanecerem não vacinados e novas variantes continuarem a se desenvolver por meio da disseminação não controlada da COVID-19, disse Watanabe.

“A realidade desta vacina é que até que realmente cheguemos à imunidade coletiva de 70% ou mais, vamos continuar fazendo isso”, disse ele.

Watanabe alertou contra a ideia de que as vacinas contra a COVID-19 não funcionam simplesmente porque as vacinas de reforço estão sendo recomendadas.

Vacinas contra a gripe são necessárias todos os anos, observou ele, e as vacinas de reforço são comuns para muitas outras comumente administradas, incluindo tétano, hepatite e sarampo.

“Embora a eficácia possa ter diminuído, as vacinas ainda fornecem proteção altamente eficaz contra um quadro grave de COVID-19”, disse ele.

 

Fonte: Healthline, Ministério da Saúde e G1

Tradução e adaptação: Redação CDD – Crônicos do Dia a Dia

Compartilhe!!!

Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no google
Compartilhar no email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima