Por Vanessa

Cauê estava com 5 anos, nos mandaram fazer o tratamento em Curitiba com os melhores médicos de função pulmonar alergistas e imunologista… seria importante ouvir isso deles. Mas, bem diferente da notícia que eu fui buscar naquele dia, o que escutei virou a minha vida do avesso, fez o meu mundo desmoronar.
Não consigo descrever exatamente o que senti naquele instante em que o médico me olhou e assim como se fala de um resfriado, me deu a pior notícia da minha vida, disse de forma bem “curta e grossa” mas com muito carinho e amor que o Cauê apresentava um quadro de asma grave, com crises constantes e que a sua vida iria mudar muito .Parecia que eu estava em um sonho, tudo ao meu redor desapareceu, eu não enxergava absolutamente nada e um silêncio angustiante tomou conta de mim. A única coisa que me lembro foi a sensação que meu coração estava rasgando.
Foi neste momento que realmente começamos escrever a nossa história de amor que, aliás, era bem diferente de tudo aquilo que havíamos sonhado… mas com a certeza que estaria lutando pelo grande amor da minha vida Peregrinamos entre médicos e hospitais a cada crise, meu filho fez exames que causaram dores na alma exames difíceis de ser feito lembro de como ele chorava na coleta de escarro , passamos por momentos que deixaram suas cicatrizes, percorremos caminhos desconhecidos e bem pouco explorados Descobrimos que o Cauê tinha asma grave
Confesso que eu esperava receber junto com o diagnóstico uma explicação de como a nossa vida seguiria dali pra frente, quais seriam as limitações que o meu filho enfrentaria, as opções de tratamentos disponíveis, os melhores remédios e algumas indicações de médicos especialistas no assunto… Como mãe, o que eu queria mesmo era receber a resposta para a pergunta que mais me assombrava: como será o amanhã?
Ao longo desses cinco anos, por diversas vezes vi meu mundo e meus sonhos desabarem, me revoltei, tive muito medo, senti dor e culpa, lutei, tive fé, reordenei alguns valores e conceitos que até então eram imutáveis pra mim, cresci e me tornei um ser humano melhor para o mundo, mais tolerante com o próximo, mais atento a detalhes que antes já tinham se tornado imperceptíveis na minha vida. Ainda continuamos de mãos dadas com o desconhecido mundo de uma doença rara e tão pouco falada como a asma grave que afeta muito. Cauê sofre diariamente com crises… exames e mais exames… canseira, falta de ar… mas ele também tem o sorriso mais lindo e inspirador desse mundo! Não sei se o meu filho um dia vai conseguir correr por aí, se vai dar a tão sonhada gargalhada, se vai acordar de noite sem crises ou abatido pela noite mal dormida. Não tenho essas respostas, mas quer saber? Não sou infeliz por isso, decidi viver o hoje e aproveitar tudo o que posso junto dele, pois cada dia é uma história diferente.
Quando paro pra pensar em tudo, lembro-me do comecinho da nossa história, do exato momento quando eu recebi a notícia naquele consultório médico que o meu filho tinha um problema sério de saúde e que provavelmente tudo o que eu tinha idealizado e sonhado viver com ele poderia não acontecer. Lembro de olhar para ele, que estava no meu colo, tão frágil e delicada, totalmente refém daquela situação, esperando apenas e tão somente receber o meu amor e a minha proteção. Aquele olhar me fortaleceu e me transformou profundamente. Levantei, sacudi a poeira e retomei a minha vida. É uma decisão difícil, mas extremamente importante para a nossa saúde mental. Temos muitas razões nessa vida para desistir e se revoltar contra tudo e todos, mas também temos muitas razões para ser feliz e fazer da vida algo que realmente valha a pena. A decisão é só nossa! Eu escolhi ser feliz e fazer a Cauê o filho mais feliz e amada do mundo, optei por não sofrer pelo sonho que não deu certo, mas viver intensamente a oportunidade que Deus me deu. É isso que qualquer filho espera de uma mãe e é assim que vai ser!”

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