Por Tininha Bueno

Sou uma pessoa que adora viajar e sempre que podia escolhia roteiros diferentes para conhecer. Quando descobri a DPOC, no início nada mudou, continuei viajando sem problemas. Mas em 2017 resolvi ir a San Andres, uma ilha na Colombia, lugar de praia onde me sinto bem, mas meu vôo tinha escala em Bogotá. Quando comprei a viagem, não me liguei que a escala seria em uma cidade alta onde certamente eu teria problemas de respiração, e foi o que aconteceu. Quando o avião pousou em Bogotá começou meu sofrimento, aeroporto enorme, eu tendo que caminhar para fazer a conexão para San Andres, mas eu não conseguia andar, me faltava o ar. Solicitei cadeira de rodas no aeroporto, mas disseram que não tinha, fiquei desesperada, pois minha conexão tinha hora marcada e eu ia acabar perdendo o vôo por não conseguir andar. Usei bombinhas SOS, medicação e nada adiantava, só piorava minha falta de ar, pois a ansiedade de não perder o outro voo era grande. Foi quando passei num raio X e uma senhora do aeroporto viu minha dificuldade para respirar, o que para eles deve ser normal, pois por causa da altura qualquer pessoa pode passar mal. Essa senhora me mandou sentar, chamou uma ambulância e num instante apareceu uma cadeira de rodas. A ambulância chegou com um médico que já tinha um oxímetro na mão, ele viu que minha saturação estava baixa, me deu água e me levou até o outro avião de cadeira de rodas. Mas meu sofrimento ainda não tinha acabado, pois breve eu teria que entrar em outro avião, eu fiquei com medo, mas fui. Me carregaram para subir no avião e me deixaram sentada na poltrona, mas infelizmente me deu vontade de ir ao banheiro, antes tivesse feito nas calças. Que desespero dentro do banheiro, quase morri, não conseguia respirar, minha vontade era abrir a porta, mas não tinha forças. Saí do banheiro arfando que nem uma louca e as pessoas pediam calma, respira assim, assado e eu só ficava com raiva, pois na hora você não consegue fazer nada, você só quer sentir o ar entrando e fica arfando, não tem jeito. A sensação é de que eu estava me afogando, desesperador. Na viagem de volta solicitei a cadeira de rodas e foi tudo tranqüilo, até chegar ao avião em Bogotá. Fui levada para o avião de cadeira de rodas e colocada sentada num assento preferencial. O vôo demorou a sair e tive a infeliz idéia de ir ao banheiro do avião. O avião ainda estava pousado, por isso achei que não tivesse problemas ir ao banheiro, engano meu, pois a despressurização da cabine do banheiro é grande, ou seja, tive uma nova crise de falta de ar. Fiquei desesperada e saí correndo do banheiro, arfando, sem conseguir respirar. As aeromoças ficaram desesperadas e tentaram me ajudar sem sucesso. Mais uma vez chamaram a ambulância e avisaram no microfone que em virtude de um passageiro estar passando mal o vôo iria atrasar. Que vergonha eu fiquei, mais uma vez veio um médico, mediu minha oxigenação perguntou se eu tinha a minha medicação em mãos, eu mostrei que sim, me deram um broncodilatador, me encheram de recomendações e me deixaram voar. Voltai para minha poltrona, todos me olhando, sentei e pensei vou daqui até São Paulo sem usar o banheiro, vou jantar tomar um remédio e dormir. Orei muito e pedi a Deus que corresse tudo bem e que eu dormisse até o final da viagem, e foi o que aconteceu; pela primeira vez dormi a viagem inteira. O medo faz milagres, só acordei quando o avião pousou.

Lições que aprendi com essa viagem:

  • Nunca viajar sem consultar minha pneumologista.
  • Não viajar para locais com altos e frios.
  • Não fazer viagens longas.
  • Solicitar sempre cadeira de rodas na reserva do vôo.
  • Viajar de fralda e calça plástica para não utilizar o banheiro.

Hoje continuo viajando, mas sempre com cautela e tomando as providências necessárias para não ter nenhum problema, pois é desesperador e em questão de segundos posso não conseguir respirar mais dentro do avião. Não é fácil, mas não desistam dos seus sonhos, mesmo com limitações, vá e corra atrás do que te dá prazer.

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