Olá, novamente! Se você leu o meu primeiro texto, percebeu que citei o Teatro e a Música na minha trajetória com a Dermatite Atópica, e é sobre o papel da arte, sobre como ela me salvou e sobre o que ela pode fazer por você, que eu vim conversar hoje.

Desde menina fui bem introspectiva mas via nos CD’s e nas trilha sonoras de novelas infantis, uma forma de sair dessa imersão em mim mesma. Foi uma infância sem muitos amigos e colegas, e me lembro de ter cogitado entrar em algum projeto que oferecesse aulas de música, mas logo desisti pela pouca experiência em lidar com público e pessoas no geral. Daí por diante, só me expressava no banheiro, lugar onde por um momento eu me distanciava da vergonha. Era diferente, como se ninguém pudesse me escutar, só eu comigo mesma, extravasando. Quando completei quinze anos, resolvi me aventurar no único lugar da minha cidade que tinha aulas de canto. Tive um encontro maravilhoso com um professor que me recebeu com muita abertura e carinho. Com ele, estudei uma vez por semana de quinze aos vinte anos, com um intervalo de um ano por conta de uma crise de depressão, fato que falarei nas nossas próximas conversas. Aos dezoito anos, ainda imersa em crises depressivas e de ansiedade resolvi fazer uma coisa diferente e sair um pouco de casa. Minha irmã havia recebido no colégio um panfleto de uma escola de teatro que iria inaugurar em poucas semanas na minha cidade. Ela me convenceu a ir com ela e ali depositei muito de mim e das minhas últimas forças para enfrentar a Dermatite e os processos psicológicos que eu havia desenvolvido. A minha maior surpresa foi encontrar pessoas dos mais variados jeitos e poder me ver como parte de alguma coisa, sem ser julgada visualmente pela minha pele machucada. Encontrei nesse coletivo o elo onde eu poderia conectar o canto, que eu tanto amava, com a interpretação. Lá, com os exercícios e atividades fui-me colocando à prova, falando de mim e de desconfortos que eu escondia e que consequentemente a pele absorvia. A arte acabou tendo efeito terapêutico no meu processo, mesmo não sendo este seu objetivo.

Mais tarde, após quatro anos de imersão no Curso Livre de Teatro, depois de encontrar tantas formas potentes de expressão e de perceber que os coletivos artísticos eram formados em sua maioria por pessoas sensíveis e afetuosas, compreendi que gostaria de fazer da profissão que me salvou (Professora de Artes – Professora de Teatro) também a minha profissão. Fui para a Universidade Federal de Minas Gerais na capital do meu estado, me formei como Bacharel em Interpretação Teatral e atualmente estou entrando no meu último ano da Graduação de Licenciatura em Teatro.

Fui afetada pela sensibilidade e não queria saber de estar em outro lugar ou de fazer outra coisa. Você já ouviu falar que a arte salva? Se não, eu posso te garantir que esse encontro, muito pouco provável para uma garota/adolescente introspectiva e traumatizada, me salvou de um quase fim.

Sem a arte não haveria perspectivas para mim, definitivamente; sem a arte eu não teria conseguido me desprender dos sintomas mais brutos da depressão e da ansiedade; sem a arte eu não conseguiria me libertar do medo de me expressar; A minha vida se dividiu em, trajetória anterior e posterior à chegada da arte e se ela fez isso por mim, eu acredito que em algum grau, ela também possa fazer isso por você. É por isso que hoje, eu luto pela valorização da arte no nosso país, é por isso que hoje, luto pela valorização dos professores(as) do nosso país. A arte salva pessoas de muitos caminhos! A arte salvou uma atópica da depressão profunda. E se você ainda não teve uma experiência, talvez tenha chegado o momento de se aventurar e aliviar um pouco a caminhada.

Fui de encontro a arte no passado, hoje sigo-a com as mãos dadas e continuarei observando-a por onde for…

Até a próxima!

Grande Abraço

Juliana Tostes

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