Pobre raiva. Tem uma má reputação. De todas as emoções que os humanos experimentam, a raiva (e talvez o ciúme) são provavelmente as mais desencorajadas e incompreendidas. Aqui está a questão: nossas emoções aparecem quer a sociedade as considere apropriadas ou não – e se não testemunharmos e aprendermos a lidar com esses sentimentos mais intensos, devemos nos preparar para muita frustração desnecessária.

Então como devemos desenvolver um relacionamento saudável com a raiva e por que ela é tão mal compreendida?

  • A raiva é muitas vezes mal compreendida por causa de como é retratada em nossa cultura e como somos ensinados a nos relacionar com ela enquanto crescemos.
  • A raiva não é o problema. É a desregulação que ocorre quando não somos hábeis com nossa raiva que é um problema.
  • Três ideias podem nos ajudar a aprender a lidar com a raiva de forma mais eficaz. Leia a matéria e confira!
De onde vem nosso desconforto coletivo com a raiva? 

Pare e pense sobre isso por um momento. A necessidade de não viver a raiva em nenhuma hipótese está ao nosso redor culturalmente. Lembre-se de uma cena de um filme, programa ou livro em que houve uma exibição de raiva. As chances são de que a cena que vem à mente foi breve, barulhenta e talvez até violenta. Agora pense em um momento em que você ou alguém com quem você estava ficou com muita raiva na vida real. Provavelmente deixou você se sentindo muito mal.

Não apenas não estamos nos adaptando a ter uma responsividade saudável a um sentimento adaptativo, como também estamos nos adaptando a ter um enfrentamento inapropriado, com reatividade, desajustes e raiva em relação a esse sentimento comum, informativo e muitas vezes útil.

A raiva é muitas vezes retratada e entendida como uma reação desenfreada que deixa um rastro destrutivo

O que não está sendo mostrado são pessoas em seus momentos de grande raiva respondendo com graça, compaixão, regulação, abertura e intenção.  Em outras palavras, não estamos vendo as pessoas respondendo e lidando efetivamente com sua raiva. O que muitas vezes vemos retratado nos filmes é muito mais do que raiva: é uma reação desregulada, talvez até dissociada, ao sentimento da raiva.

Você consegue pensar em uma cena de um programa em que você viu alguém lidar com um ataque de raiva de uma maneira habilidosa e produtiva? Nem eu. E adivinha? Nós não estamos sozinhos. Recentemente, em uma pesquisa com o  público do Instagram da autora desse texto, para ver quem aprendeu a gerenciar a raiva de maneira produtiva, 67% disseram que, de fato, não aprenderam. Não só isso, mas 85% disseram que o sentimento de raiva foi ensinado como algo “ruim” quando eram crianças.

Nosso mal-entendido sobre a raiva vai além de programas de TV e livros – que é a forma que muitas pessoas foram criadas para sentir essa emoção. 

Muitos de nós fomos aprendemos, implícita ou explicitamente, de que demonstrar raiva não era correto. 

Ou fomos recompensados ​​por não mostrá-la ou punidos por mostrá-la, aprendendo assim a enterrá-la. Acrescente nisso a confusão em testemunhar um ataque de raiva dos cuidadores enquanto lhe diziam que esse sentimento era ruim, e você ter uma receita de como reprimir a sua própria raiva ou a instabilidade em torno desse sentimento.

Como devemos aprender a abraçar esse sentimento, trabalhar com ele, honrá-lo e respeitá-lo, se é um tabu e o que nos é mostrado promove a sua má reputação? 

Veja, quando vemos a expressão da raiva de forma desajustada, o problema não é a raiva e sim a reatividade, os comportamentos e as escolhas sem habilidades.

Como vamos saber como lidar com nossa raiva se não fomos ensinados para isso? 

Quantos de vocês cresceram em lares onde testemunharam os adultos ao seu redor tendo conversas difíceis e raivosas de forma habilidosa? Meu palpite diz que não muitos (se você quiser dar a seus filhos um grande presente, ensine para eles uma solução saudável de conflitos junto com a raiva).

A raiva é uma emoção humana básica. É compartilhada não apenas entre os humanos, mas todos os animais. Ela se origina de nossa amígdala, o centro emocional de nosso cérebro, e serve a uma função primitiva e adaptativa não apenas em nosso dia-a-dia, mas também em nossa sobrevivência como espécie.

Nossa raiva pode ser informativa. Isso nos permite saber que algo não está certo ao nosso redor, que precisamos lidar com algo (ou alguém), que um limite foi ultrapassado. Algo significativo aconteceu. Você sofreu uma perda. De onde quer que venha, nossa raiva merece atenção.

Quando a reprimimos, essa experiência de raiva pode levar a sentimentos de depressão. Quando não temos as ferramentas para lidar e processar, pode levar a mais raiva, violência e agressão.

 

Então, como prestar atenção à nossa raiva, honrá-la e administrá-la de forma eficaz?
  1. Construa autoconsciência. 

Pergunte a si mesma o quão forte é sua emoção em uma escala de 1 a 10. Ensine a si que, se sua raiva (ou qualquer grande emoção) ultrapassar um certo número, você coloca um plano de ação em prática. Você pode fazer uma pausa, ou mover seu corpo. Respire fundo enquanto coloca as mãos sobre o peito. Sinta a raiva enquanto ela se move pelo seu corpo. Traga sua consciência para a sensação física de sua raiva (afinal, é uma sensação muito física). Em suma, treine para tomar certas ações para ajustar seu sistema nervoso se ultrapassar a sua escala. Aprenda a entender esse número cada vez mais cedo. Escreva essa dica em algum lugar que você possa enxergar.

  1. Aprenda a comunicar sua raiva de maneira eficaz. 

Ao contrário do que você pode ter aprendido, não há nada de errado em dizer “estou com raiva” para o seu parceiro e, no entanto, muitos de nós ativamos muitos gatilhos por causa dessas palavras. Não aprendemos a dizê-las (ou recebê-las) de forma calma e aberta. 

Aqui está uma coisa que muitos de nós não percebemos: você pode estar com os pés no chão e com raiva ao mesmo tempo. Não é um ou outro. Você não precisa se retirar só porque está com raiva. Se comunicar dessa forma é novo para o seu relacionamento, converse com antecedência sobre a raiva e como ela foi tratada no passado, e as mudanças que você gostaria de ver. Traga a curiosidade para a mesa à medida que você entende e fala sobre como a raiva foi tratada em sua educação, bem como na educação de seu parceiro. Estabeleça essa combinação no seu relacionamento para poder falar sobre a raiva diretamente, usando frases que declaram os sentimentos e falando a partir da sua experiência. Peça com antecedência para quem você está falando que receba esses sentimentos potencialmente duros de maneira aberta e não defensiva.

  1. Lembre-se de que o seu “OK” não vem de nenhuma fonte externa. 

Você pode ficar com raiva – e ainda estar bem (ou seja, saiba que esse sentimento passará, que não o define, que você não está sozinho com ele e que faz parte da vida). Se apenas soubermos que estamos bem e que tudo dentro de nós e ao nosso redor estiver em ordem, estaremos evitando sofrimento. Porque há tanta coisa que não podemos controlar. Surgirão situações que o deixarão com raiva. As pessoas vão decepcioná-lo. Aprender e lembrar-se de que você pode ficar bem e com raiva pode ser bastante libertador. Tente dizer: “Meu bem-estar é independente de qualquer outra coisa. Estou bem mesmo tendo essa experiência de raiva”.

Então, para resumir, lembre-se de que não há problema em ficar com raiva. Afaste-se de julgar a si mesmo pela raiva. Se você se pegar se culpando quando estiver com raiva, talvez queira perguntar quem costumava julgá-lo (ou a eles mesmos) por ficar com raiva quando você era criança. Essa resposta provavelmente fornecerá informações sobre a origem do seu problema com essa emoção intensa.

Da próxima vez que você sentir raiva, observe, veja como seu corpo se sente nesse estado e acolha-o como o bom (e muitas vezes útil) amigo que ele é.

 

9 de fevereiro de 2022, escrito por Leah Katz, revisado por Jessica Schrader

Tradução e adaptação equipe da Crônicos do Dia a Dia (CDD)

Fonte: Psychology Today

 

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