O quadril, a coluna e o punho são os locais mais comuns onde alguém que convive com Osteoporose pode sofrer fraturas

 

Imagine a cena: Você está andando na rua, tropeça em um calçamento e cai no chão. É uma simples queda e a maioria das pessoas levanta sozinha, “sacode a poeira e dá a volta por cima” (como diria a famosa música Volta por cima, de Paulo Vanzolini).

Mas se você tem mais de 45 anos, especialmente se for mulher, você pode estar em risco de ter uma fratura por fragilidade com essa queda. 

Esses tipos de fraturas podem ser um sinal da Osteoporose e afetam até 50% de todas as mulheres e 25 a 33% de todos os homens com mais de 50 anos, sendo geralmente devidos à baixa densidade mineral óssea. 

A ocorrência da fratura por fragilidade gera uma série de consequências em cascata, como dor e deformidade, alteração física e emocional, consequências físicas e psicológicas, comorbidades associadas, redução das atividades que requerem função física e perda da força muscular e óssea. 

Não é à toa que a Osteoporose é considerada um problema importante de saúde pública. Segundo estimativas, aproximadamente 200 milhões de pessoas no mundo estejam afetadas. Desse total, 37,5% encontram-se na Europa, nos Estados Unidos e no Japão e cerca de 5% no Brasil

Prevenção secundária 

A prevenção à Osteoporose engloba diversas atitudes, que devem ser tomadas ao longo da vida, como a exposição ao sol em horários adequados para absorção de Vitamina D, a prática de exercícios físicos e o consumo de alimentos que possuam cálcio.

No entanto, alguns países já falam em uma prevenção secundária, ou seja, vêm investindo na prevenção da fratura seguinte e de suas consequências. Uma vez que a Osteoporose é uma doença silenciosa e boa parte das pessoas descobre sua existência após a primeira fratura, é importante que a partir daí seja iniciado um tratamento preventivo para novos traumas. Metade dos pacientes que tiveram uma fratura do quadril, que é a mais complicada, teve uma fratura prévia e os tratamentos disponíveis puderam diminuir as fraturas subsequentes.

Fraturas no quadril

Hoje o número de fraturas de quadril por ano no Brasil passa de 120 mil, mas deve chegar a 160 mil até 2050. Quando ocorre uma fratura do quadril, pela sua alta taxa de mortalidade (50% das mortes relacionadas) e pelo alto custo de tratamento, é o mais importante marcador da efetividade no tratamento da osteoporose. 

Mais de 50% daqueles que sobrevivem às fraturas de quadril tornam-se incapazes de uma vida independente; muitos necessitarão viver em ambientes institucionalizados. 

Fraturas na coluna vertebral

As fraturas na coluna vertebral são comuns por acontecerem de forma espontânea e serem assintomáticas, diferentes de outras fraturas que ocorrem no contexto do trauma de baixa energia, com sintomas de dor. Mas os pacientes que apresentam as microfraturas nas vértebras têm maior chance de evoluir para fraturas completas, com dor significativa e diminuição da mobilidade. Esse tipo de fratura é responsável por 28% das mortes relacionadas à Osteoporose.

Fraturas no punho 

As fraturas no punho – fratura de Colles (rádio distal) – e antebraço podem ser incluídas na categoria de traumas por fragilidade. As fraturas por fragilidade resultam de forças mecânicas que normalmente não levariam a fratura em pessoas sem osteoporose. 

Se compararmos essas fraturas às do quadril e da coluna, percebemos que há um padrão diferente, uma vez que o risco ao longo da vida de uma mulher em ter fratura de punho aos 50 anos é de 16,6%, caindo para 10,4% aos 70 anos. Mulheres brancas na faixa entre 45 e 60 anos demonstram um aumento da incidência dessas fraturas, com declínio e estabilização ao longo dos anos.

 

Fontes:

STOLNICKI B; OLIVEIRA LG. Para que a primeira fratura seja a última. Rev Bras Ortop. 2 0 1 6;51(2):121–126. 

Manual brasileiro de osteoporose: Orientações práticas para os profissionais de saúde / organização Adriana Orcesi Pedro, Perola Grinberg Plapler, Vera Lúcia Szejnfeld. — 1. ed. — São Paulo : Editora Clannad, 2021.

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