Saiba quais doenças ou tratamentos podem causar a Osteoporose

Distúrbios hormonais, alguns tipos de câncer e questões genéticas têm chances de desencadear a doença.

Na reportagem, você ficará sabendo que:
– A chamada osteoporose secundária é aquela associada a outras patologias, com um aumento do risco de fraturas;
– Doenças genéticas, renais, endócrinas, gastrointestinais, hematológicas, do tecido conjuntivo ou até alcoolismo podem desencadear doença;
– Tratamentos para diversos tipos de câncer ou a ingestão de certos medicamentos também provocam a perda óssea;
– Tomar cálcio, banho de sol e realizar atividades físicas ajudam a minimizar os sintomas.

Quando recebemos o diagnóstico de uma doença ou iniciamos um tratamento, jamais imaginamos que podemos descobrir outra patologia no meio do caminho. Mas é assim que acontece na totalidade dos casos de osteoporose secundária. Inclusive, o nome já sugere que a pessoa apresenta uma perda óssea decorrente de outras questões de saúde.
Aos 36 anos de idade, Viviana Fulgido Gamba foi diagnosticada com lúpus. Pouco depois, fazendo exames de rotina, descobriu que tinha osteoporose. “Ela é decorrente principalmente da perda de cálcio por causa do tratamento de lúpus, que é a base de corticóide. Então, eu tinha alguns pontos de osteoporose e alguns de osteopenia. E aí comecei como suplemento de cálcio e, gradativamente, comecei a ter ganho de massa óssea saindo de osteoporose para osteopenia”, conta.
Hoje, aos 52 anos, mesmo após se preocupar com o diagnóstico precoce e se sentir triste, Viviana toma cálcio todos os dias e adota uma série de cuidados paliativos para minimizar sintomas como dores na lombar e na região do quadril: “Todos os dias eu tomo sol para ajudar na parte da prevenção. O que mais me ocasionou osteoporose foi o tratamento para lúpus, que fez eu ter a forma prematura da doença. Tento fazer alongamentos e atividades físicas para ajudar no processo todo”.

Viviana Fulgido Gamba (Foto: acervo pessoal)

A osteoporose surgiu na vida da pediatra Zuleid Dantas Linhares Mattar, presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA-SP), após o tratamento contra um câncer de mama, há seis anos. “Tive com 57 anos, já numa fase de menopausa, e as mulheres nessa etapa têm a predisposição porque cai a taxa hormonal, então, você começa a ter perda óssea. Com o tratamento, que consiste em tomar supressores dos hormônios, porque o câncer de mama está diretamente relacionado com hormônios femininos, esses medicamentos aumentam o risco para osteoporose”, explica Zuleid.
O câncer que Zuleid teve comprometeu a região dos gânglio e axilas. Ela terá de tomar a medicação por dez anos. Ela faz o controle da osteoporose ingerindo cálcio, vitamina D em doses altas, pratica atividade física, controla o ganho de peso e investe na prevenção de acidentes. “Isso porque, como já tenho osteoporose importante, se tiver uma queda, fatalmente vou quebrar. No dia a dia, evito sapatos com salto que podem escorregar. Andar em superfície regular é complicado”, diz.
Ao fazer a quimioterapia, Zuleid chegou a perder as unhas e os dentes. “E nessa história de perder dentes tive que fazer implantes. Hoje em dia tem medicamentos para controle da osteoporose, mas que causam risco de fazer uma necrose no dente. Por esse motivo, não posso tomar esse tipo de remédio, que são mais potentes para evitar a perda óssea. Então, eu só posso fazer uso do cálcio oral. É importante relatar isso também para que as pessoas entendam que a osteoporose não é uma coisa simples”, alerta.

Senhora de cabelos brancos e curtos sorrido de frente para a câmera
Zuleid Dantas Linhares Mattar (Foto: acervo pessoal)

Além do tratamento contra o tumor, Zuleid tem asma e o intenso uso de corticóide também pode diminuir a absorção do cálcio, o que pode levar a osteoporose. “O uso do corticóide oral é muito prejudicial, tenho que evitar ao máximo isso. Pacientes asmáticos precisam se controlar com corticóide inalado e evitar ao máximo os orais, porque eles diminuem a densidade mineral óssea”, explica. Ela ressalta que, para pacientes com doenças crônicas, a vigilância tem de ser intensa em relação aos hábitos de vida.

Para saber tudo sobre osteoporose, clique aqui

Doenças que podem causar a osteoporose

Além dos casos de lúpus, asma e tratamento contra alguns tipos de câncer que retratamos no início da reportagem, a osteoporose secundária está associada a outras patologias, como doenças genéticas, como diabete melito; estado hipogonadal; hematológicas (mieloma múltiplo); doenças do tecido conjuntivo (artrite reumatóide, osteogênese imperfeita, homocistinúria); gastrointestinais; enfermidades sistêmicas crônicas comuns, tais como alcoolismo, falência cardíaca congestiva e doença renal; e doenças endócrinas, por exemplo, hiperparatireoidismo, Síndrome de Cushing.
“Na pós menopausa, cerca de 15% das mulheres apresentam hipotireoidismo, que é a produção insuficiente dos hormônios da tireoide. E essa disfunção da glândula é muito relevante, pois quase 40% das pessoas que têm hipotireoidismo não atingem o alvo terapêutico, ou seja, não estão com o tratamento adequado”, afirma a endocrinologista Gisah Amaral.
O paciente que toma doses menores das que foram recomendadas para compensar o hormônio da tireóide correm o risco de ter perda óssea, o que leva à osteoporose, e outros sinais do hipotireoidismo, como cansaço, pele seca, queda de cabelo entre outros.
Sobre tratamentos, aqueles que têm a necessidade do uso de glicocorticóides oferecem o maior risco para osteoporose, já que esse tipo de medicamento está associado à doença. Essa classe de remédios é normalmente escolhida por médicos para patologias como obstrução pulmonar crônica, doenças inflamatórias e artrite reumatóide.

Prevenção da osteoporose secundária

Curiosamente, menos de 5% dos casos de osteoporose em mulheres e cerca de 20% em homens são secundários. Para evitar que isso ocorre, na medida do possível, existem algumas coisas que você pode fazer:
– Evitar o consumo de cigarros de todo o tipo, de bebidas alcoólicas e cafeína;– Ingerir quantidades adequadas de cálcio e vitamina D;
– Se informar sobre os tipos de medicamento que precisará fazer uso para determinado tratamento e se eles podem ter a perda óssea como efeito colateral;
– Praticar atividade física, na medida do possível, como caminhada, pilates e outras.

“Dados indicam que cerca de 33% das mulheres e 15% dos homens com mais de 65 anos terão osteoporose. Portanto é um problema de saúde pública”, enfatiza Sergio Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).
A casa adaptada para o paciente com osteoporose pode diminuir consideravelmente os riscos de quedas. O médico Sergio Setsuo Maeda fez uma lista das principais dicas para transformar a casa em um ambiente mais seguro:

–  A iluminação é um item importante: o ambiente interno deve ser bem iluminado para que o paciente consiga circular com tranquilidade e segurança.
– Retirar tapetes e carpetes da casa é fundamental, pois eles são causas frequentes de escorregões, tropeços e quedas.
– A altura de cama e sofá deve ser mínima de 45 a 50 cm do chão.
– Fios de carregadores de celular, brinquedos e outros objetos não podem ficar soltos pelo chão da casa do paciente com osteoporose, pois podem provocar quedas e consequentes fraturas.
– O piso escorregadio é causa frequente de quedas, principalmente quando molhado. E no banheiro é onde mora o perigo: instale barras anti quedas na área de banho, sendo também importantes banquinhos para sentar e lavar os pés e tapetes antiderrapantes dentro e fora do box, pois o piso está sempre molhado.

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