‘Em agosto, deveremos ter uma prévia para análise do novo protocolo para Asma’, prevê presidente da ABRA-SP

Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para DPOC também precisa de atualização para que mais medicamentos sejam acessíveis ao pacientes

Um hiato de praticamente sete anos anos separa a última atualização do protocolo clínico de DPOC dos tempos atuais. O documento mais recente é de 6 de junho de 2013, retificado oito dias depois. E o que isso significa na prática?
Pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica têm opções limitadas de tratamentos que não condizem mais com as evidências científicas atuais, na análise do pneumologista Franco Chies Martins: “Na última década a medicina evoluiu bem com a DPOC. Cada dia mais buscamos um equilíbrio entre efeitos adversos e eficácia do tratamento. O Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas não reflete a realidade atual científica do tratamento da DPOC. O paciente que pode pagar faz um tratamento mais eficaz e melhor do que aquele que somente recorre ao rol do protocolo”.
Dr. Franco Chies
Na opinião do professor sênior de Pneumologia da Unifesp José Roberto Jardim, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para DPOC já estava atrasado em 2013. “O tratamento não estava atualizado. Na época, abriram audiência pública e eu  escrevi 27 páginas sobre o que achei de errado no documento, algumas observações e outras pessoas da sociedade também participaram. E nada. Quatro anos depois, em 2017, o Ministério da Saúde abriu outra consulta pública. Sugeri 32 itens para acrescentar nos últimos cinco anos, de tratamentos, medicamentos e diretrizes para diagnóstico”, lembra.
Dr. José Roberto Jardim

A demora na atualização do PCDT fez com que os Estados tomassem uma providência para auxiliar os pacientes, como conta José Roberto Jardim. “Em 2013, esse programa federal não contemplava medicamento anticolinérgico, que é de escolha do paciente e, com isso, os estados começaram a fazer seus próprios programas para DPOC”, enfatiza.

O atual PCDT orienta como base do tratamento medicamentoso os broncodilatadores por via inalatória, que proporcionam alívio sintomático. Os remédios sugeridos, dependendo de cada caso, são:

– Broncodilatadores de curta ação (salbutamol, fenoterol);
– Broncodilatador anticolinérgico (brometo de ipratrópio);
– Broncodilatadores de longa ação (salmeterol, formoterol);
– Corticosteroides inalatórios (budesonida, beclometasona);
– Corticosteroides sistêmicos não inalatórios (prednisona, prednisolona, hidrocortisona);
– Oxigenoterapia domiciliar.

O pneumologista do Hospital das Clínicas Rafael Stelmach, presidente da Fundação ProAr, afirma que os Protocolos Clínicos de Diretrizes Terapêuticos para DPOC e asma precisariam ser reavaliados a cada dois ou três anos. “Porque isso tem sido feito de uma forma muito lenta, com muita dificuldade e inclusão muito restrita. O que precisa fazer é torná-los mais regulares. Você teria esses medicamentos disponibilizados para acompanhar o nível internacional, trocando os mais velhos pelos mais novos, o que não tem acontecido regularmente nem no serviço público e muitas vezes no privado. Não se trata somente de SUS, no caso do PCDT”, pondera.

Dr. Rafael Stelmach

Zuleid Dantas Linhares Mattar, presidente da Associação Brasileira de Asmáticos de São Paulo, afirma que a entidade está engajada para a atualização do PCDT para asma. “A limitação é muito grande, uma vez que os consensos mudaram e a abordagem hoje é muito mais abrangente com novas classes terapêuticas e associações de drogas. O conhecimento da fisiopatologia e das características fenotípicas da asma marca uma nova era no tratamento e controle da doença. O protocolo está sendo sendo analisado e, em agosto, deveremos ter uma prévia para uma primeira análise e acertos de considerações. Por se tratar de uma grande mudança, muitos aspectos precisam ser analisados, além da incorporação de medicamentos”, diz.

Dra. Zuleid Mattar

O que o novo PCDT precisaria incluir para beneficiar os pacientes?

O professor sênior da Unifesp José Roberto Jardim ressalta que a demora da atualização do protocolo de diretrizes para DPOC passou por diversas gestões de governos como Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro. O especialista participou frequentemente das tentativas de atualização envolvendo sociedade civil e entidades nas últimas décadas. “Os médicos adorariam poder participar de qualquer coisa gratuitamente. Se o governo dissesse, ‘queríamos falar com vocês’, nós sempre nos disponibilizaríamos a participar para ajudar a população e os pacientes. Querer ajudar faz parte do cotidiano dos médicos. O problema é sair do papel”, desabafa.

O pneumologista Franco Chies Martins relata que é um consenso nas agências europeias e americanas que broncodilatadores são a base do tratamento e que dois broncodilatadores são mais eficazes do que um isoladamente. “O PCDT precisa incluir essa associação em um único dispositivo. Além disso, o protocolo obriga o médico a prescrever corticoide inalatório quando não é necessário. E, quando é necessário, o paciente precisa utilizar até três dispositivos, fazendo de cinco a seis inalações por dia para tratamento de manutenção”, considera. Para ele, na atualização, medicamentos como broncodilatadores agonistas beta2 de longa ação e broncodilatadores anticolinérgicos em associação para início de tratamento seriam uma ótima opção aos pacientes.

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