Reinfecção por Covid-19 eleva risco de morte?

Revista científica Nature Medicine observou as sequelas de até seis meses após reinfecção por Covid-19, em um banco de dados de saúde com 5 milhões de indivíduos

Bettina Gehm, da Redação CDD

Os casos de indivíduos que contraem Covid-19 duas ou mais vezes estão se tornando cada vez mais comuns, mas a reinfecção pelo vírus não é banal. Um artigo publicado na revista científica Nature Medicine em novembro deste ano mostra que o risco de morte aumenta em cerca de 2% após a reinfecção. Contrair o vírus duas ou mais vezes aumenta riscos de mortalidade por diversas causas, hospitalização e de sequelas em vários órgãos. 

As evidências sugerem que os riscos da reinfecção são especialmente altos quando se trata da variante ômicron, capaz de escapar da imunidade de uma infecção anterior.

Os pesquisadores da Fundação de Pesquisa e Educação dos Veteranos de Saint Louis, nos Estados Unidos, usaram a base nacional de dados de saúde de veteranos norte-americanos, que reúne mais de 5,8 milhões de indivíduos. Deste total, 440 mil tiveram uma única infecção por covid e 40 mil sofreram duas ou mais vezes com a doença. Outros 5,3 milhões de indivíduos que não tiveram teste positivo para o vírus serviram como grupo controle.

Mas atenção: o resultado não pode ser encarado como uma sentença para quem contraiu o coronavírus mais de uma vez, avalia a bióloga Melissa Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Ela afirma que o estudo tem limitações. Uma é a de que o impacto do Sars-CoV-2 na saúde geral foi avaliado até seis meses após uma segunda ou terceira infecção. Reinfecções mais espaçadas, portanto, poderiam ter efeitos distintos.  

A outra limitação é na amostra: apesar de enorme, é composta majoritariamente por homens brancos adultos. “Não é possível fazer uma separação de raça, faixa etária ou sexo”, observa Markoski, que também integra Rede Análise Covid-19, uma iniciativa nacional.

O período de coleta dos dados, concluído em junho de 2022, também deixou de considerar as últimas subvariantes da ômicron. “O estudo permite afirmar que existe um risco aumentado de sequelas, hospitalização e morte. Mas não dá para ser taxativo sobre as porcentagens apresentadas”, pondera Markoski. “Vamos ter que esperar o tempo passar para ver as consequências daqui a um ou dois anos. Estudos a longo prazo ainda deverão trazer resultados adicionais”.

O risco da reinfecção de Covid-19

Mas por que a reinfecção representa um risco a mais para a saúde? A resposta, apontada por outros estudos sobre o efeito do vírus no organismo, estaria relacionada ao quadro inflamatório. Ou seja, uma segunda infecção dispararia um processo inflamatório ainda mais intenso, que acaba sendo especialmente deletério ao organismo. 

Markoski ressalta que, desde o início da pandemia, indivíduos que apresentam os sintomas da chamada “covid longa” manifestam justamente as sequelas identificadas pelo novo estudo em quem se reinfecta pelo vírus.

É aí que entra a ajuda das vacinas, que precisam ser reforçadas periodicamente. “Cada vez que você toma o reforço, dá ao corpo a capacidade reagir melhor à infecção. Depois de uns cinco ou seis meses, esses anticorpos vão se perdendo, diluídos no sangue ou excretados pela urina”, explica. “Seria recomendável que tomássemos duas doses por ano de vacinas atualizadas para as variantes que estão circulando”, afirma a especialista.

Segundo Markoski, para barrar as reinfecções, é preciso diminuir muito a transmissão do vírus, o que não está acontecendo. “Só se vê as pessoas voltando a usar máscaras e a procurar vacinas quando os casos aumentam drasticamente”, afirma. 

Apesar de aprovadas pela Anvisa, as vacinas mais atualizadas, chamadas bivalentes, ainda não estão disponíveis. Markoski ressalta, porém, a importância de reforçar a imunidade com as que já temos por aqui, que também oferecem proteção. 

Para a bióloga, o governo deveria chamar atenção da população para os riscos da reinfecção por covid. “Ventilação dos ambientes e o uso de máscara são fatores que precisam estar agregados”, diz. 

Os autores do estudo apontam que a prevenção contra o vírus deve “continuar a ser o objetivo das políticas de saúde pública”. No plano de governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, há intenção de retomar o programa nacional de vacinação.

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