Orgasmo alivia estresse, ameniza cólicas menstruais e melhora imunidade

‘O orgasmo é a cereja do bolo que libera substâncias motivadoras e de bem-estar para as mulheres’, explica sexóloga Ana Canosa

Há mais de vinte anos se comemora o Dia Mundial do Orgasmo, em 31 de julho. A data foi criada por uma rede de sex shops da Inglaterra em, 1999, para debater a necessidade de uma vida sexual mais satisfatória.
Até hoje, falar sobre o assunto, sobretudo entre as mulheres, ainda é um tabu, na avaliação da sexóloga Ana Canosa: “É um tabu porque a sexualidade feminina toda, de um modo geral, vem sendo discutida há pouco tempo, com liberdade, conhecimento, inclusive tornar público o órgão sexual feminino, o clitóris, a vulva. Falar disso é muito recente. Embora tenham descoberto do clitóris no século 18 ou 19, só no final do século 20 a gente começou a estudar mais”.

A psicóloga lembra que o prazer feminino não era reconhecido e que imaginava-se que as mulheres só atingiam o prazer com a penetração. “Ficou aquela associação de que o orgasmo só era através da penetração e boa parte das mulheres não tem orgasmo com penetração. Mostrar que a mulher tem orgasmo através do estímulo do clitóris e que, portanto, ela não precisa do pênis, entre aspas, porque as mulheres podem gostar muito de penetração, algumas inclusive terem orgasmo através da penetração, acho que isso desconstrói o mito de que a mulher só é sexualmente ativa a partir do homem, então, essa desconstrução ainda é grande”, ressalta.

Ao atingir o orgasmo, a mulher tem uma série de processos químicos em andamento no organismo. “Quando tem essa descarga de tensão, ela também vai liberar neurotransmissores, substâncias e hormônios que nos satisfazem, que são bons para o corpo. Quando a mulher tem orgasmo, tem muita descarga de dopamina que é o hormônio do foco, o hormônio que é motivador, manda recompensa, então, gera uma alegria para o corpo”, destaca a sexóloga Ana Canosa.

Alguns estudos publicados pelo The Journal of Sex Research comprovam que nosso cérebro libera endorfinas e oxitocinas em quantidades até cinco vezes maiores quando temos um orgasmo do que em situações normais. Essas substâncias também são responsáveis pelo controle da dor. Por proporcionar um melhor relaxamento do corpo, o orgasmo também é capaz de inibir a insônia e controlar o estresse.

O ginecologista e obstetra Domingos Mantelli afirma que existem muitos mitos, a maioria sem pé nem cabeça, sobre sexo. “Alguns dizem que masturbação faz mal. Pelo contrário, masturbação faz bem! Ela traz inúmeros benefícios para a saúde: alivia a tensão, cólicas menstruais, melhora o sistema imunológico, dentre outros. Já ouvi gente dizendo que muito sexo pode soltar a região vaginal. De forma alguma! A vagina é uma estrutura muscular que sempre volta ao seu estado normal, independentemente da quantidade de sexo que a mulher já fez”, explica.

Ana Canosa ressalta que uma relação sexual satisfatória é importante para a saúde emocional da mulher: “Para ela se sentir autônoma, não só necessariamente com o orgasmo. O orgasmo é a cereja do bolo que pode provocar uma série de satisfações e encher o seu corpo de substâncias bastante interessantes de motivação para o prazer e o bem-estar. Agora, se você tem uma relação que é só mais ou menos, você perde a oportunidade de experimentar um prazer maior. Não é um problema não ter orgasmo nas suas relações, se você tem satisfação na vida e é desejante no mundo, está tudo bem também. Agora, se tiver orgasmo, melhor, né?”.

Sinais de que você teve um orgasmo
Por ser um tabu, orgasmo não é um assunto que domina as rodas de conversas femininas. Algumas mulheres não admitem que nunca conseguiram chegar ao ápice do prazer.  “Boa parte das mulheres percebem que têm um orgasmo pelas contrações involuntárias da musculatura vaginal, então, é uma sensação da descarga de tensão. Há contrações involuntárias da vagina e às vezes do útero e da região genital, acompanhada de extremo prazer. Agora, algumas mulheres não têm a contração ou são muito imperceptíveis. Para algumas, dá a sensação de formigamento, para outras, dá um pouco de tremor nas pernas. Mas o importante é sentir que de alguma maneira aquele aumento de energia teve alguma descarga, que aliviou a tensão”, esclarece Ana Canosa.

Segundo a especialista, muitas mulheres não são francas com seus parceiros ou suas parceiras sobre o assunto. “As mulheres também têm um mau hábito de que, quando amam, também começar a se preocupar muito com a parceria com a outra pessoa e, às vezes, ficam com vergonha de dizer que não teve orgasmo, que vai deixar o outro triste. Então, esse intenso estímulo da mulher, por uma questão de gênero, uma questão social, de que a gente sempre tem que ser uma ‘boa menina’, não ser combativa, isso torna a mulher menos autônoma sexualmente. E muitas vezes ela deixa de ir em busca do próprio prazer em nome do prazer alheio”, pondera.

Na visão de Ana Canosa, isso é um condicionamento feminino, cultural, que tem haver com a questão da maternidade, com a passividade, com o lugar da mulher na cultura: “É uma herança maldita para o desenvolvimento da autonomia sexual. Enquanto as mulheres não conhecerem o próprio corpo, não falarem claramente como elas gostam de ser tocadas ou como atingem o orgasmo, vão continuar com a dependência para a sua satisfaçãos sexual”.

Qual a diferença entre libido e orgasmo?
Libido e orgasmo são coisas completamente diferentes, como esclarece a sexóloga Ana Canosa. “Libido é um termo que Freud emprestou do latim para falar sobre a energia sexual. Na psicanálise freudiana, a libido é mais do que só uma pulsão voltada para a sexualidade pelo sentido genital, mas pode ser movida para outras coisas. Por exemplo, ‘estou com tesão de fazer tal coisa’. Então, era isso que Freud dizia, que a pulsão sexual era voltada para outras atividades que envolvem energia. Popularmente, usamos a palavra libido para falar sobre o desejo sexual, que pode ser desejo seixual ou pela vida, o ser desejante”, diz.

Já o orgasmo deve necessariamente passar por um processo para existir. “O orgasmo é o ápice, uma fase da resposta sexual. Vou ter o desejo, a excitação, meu corpo vai reagir ao estímulo até chegar ao orgasmo, que é a descarga da tensão. Sempre faço a associação com o espirro. O orgasmo é como quando você espirra, que dá aquele alívio. É a descarga da tensão sexual”, exemplifica Ana Canosa.

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