Consulta pública para testagem universal para hepatite viral C em gestantes no pré-natal vai até 6 de julho

Atualmente, a recomendação vigente para testagem de hepatite C (HCV) durante o pré-natal é baseada na identificação de fatores de risco apresentados pela gestante, como receptoras de sangue, usuárias de drogas endovenosas, pacientes em hemodiálise, relação sexual sem preservativo e trabalhadoras da área da saúde.

Agora, foi colocada para consulta pública pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o Relatório de Testagem Universal de Testagem Universal para Hepatite viral C em Gestantes no Pré-natal. As sugestões poderão ser feitas até o dia 6 de julho.

A proposta é que todas as gestantes realizem teste rápido para HCV durante o pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre ou na primeira consulta realizada. O objetivo dessa mudança de recomendação é aumentar a taxa de detecção de casos, ofertar um cuidado específico à gestante com HCV e ao recém-nascido exposto ao vírus, além de iniciar tratamento direcionado após o parto, atendendo o Plano Nacional de Eliminação da Hepatite C e a redução da transmissão vertical desse agravo.
Essa é parte da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Prevenção da Transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites virais, elaborado pelo Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde. Para dar a sua opinião sobre o assunto e participar da consulta pública nº19, acesse o portal da Conitec.


SAIBA MAIS: O que é consulta pública: 6 passos para entender 


Saúde da gestante

Se a mulher já sabe que tem hepatite C e pretende engravidar, o ideal é começar os exames pré-natais seis meses antes. Em geral, inclusive naquelas que não têm o diagnóstico do vírus ainda, ao saber da gestação, é preciso que o obstetra avalie a história clínica da mulher e realizar um exame físico completo.
A ginecologista e obstetra Regina Paula Ares pede um check up completo para a gestante, inclusive o exame de hepatite C. “Eu peço sempre o exame para hepatite C porque é preciso pensar em tudo, inclusive na transmissão para o bebê. Na gestante, é um vírus que se potencializa por diminuição da imunidade”, avalia.
A especialista lembra que a hepatite C é uma doença crônica, não tem cura e pode levar a insuficiência hepática. Em alguns casos, o transplante de fígado é necessário e, em situações muito graves em que o paciente não é tratado, pode levar à morte.


Hepatite C na gravidez e a saúde do bebê

A hepatite C na gestação pode ser transmitida para o bebê no momento do parto. Entre os 15 e os 24 meses de vida da criança, o pediatra pode solicitar exames para verificar se o bebê foi contaminado. Os níveis de ALT são maiores nos dois primeiros anos de vida e vão diminuindo com o passar do tempo, até que podem voltar a subir entre os 20 e os 30 anos.
Em geral, os bebês infectados com o vírus da hepatite C não apresentam sintomas e têm um desenvolvimento normal, mas possuem um maior risco de complicações no fígado durante a vida adulta. Essa é mais uma razão para a realização de exames de sangue regularmente para avaliar a função do fígado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante toda a vida.
“Acredito que hoje em dia não podemos mais falar em testar apenas “grupos de risco” . Com a testagem universal, teremos uma segurança maior de que haja menor morbidade entre os RNs”, avalia a pediatra Glaura Ferrari, que trabalha com crianças e puericultura há 30 anos em consultório.


AVALIAÇÃO – A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde publicou parecer favorável à testagem universal de gestantes durante o pré-natal para hepatite C. Há evidência de que o rastreamento está associado a um maior rendimento diagnóstico e sensibilidade do que a abordagem de testagem por risco.
Na perspectiva do Sistema Único de Saúde, a estratégia se demonstrou mais efetiva que a detecção baseada em risco com um acréscimo de R$ 288 por gestante testada. A adoção do rastreamento estaria associada a um incremento de R$ 49 milhões por ano no orçamento do Ministério da Saúde, principalmente em função do alto custo dos tratamentos.

FUNDAMENTAL – Para a associação Crônicos do Dia a Dia (CDD), a inclusão da testagem universal de hepatite C para gestantes fortalece e amplia a possibilidade de tratamento da mulher e do bebê contra possíveis consequências do vírus, medida necessária para atualizar o PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas).

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