Isso é SUS: Rede de Banco de Leite Humano (rBLH)

Agosto é o mês em que intensificamos os debates necessários para que a amamentação seja um ato possível para mais pessoas. Mesmo que haja consenso sobre os benefícios da amamentação para o desenvolvimento infantil, ainda faltam políticas que deem condições para que mulheres e pessoas que amamentam tenham segurança para isso em suas casas, trabalhos ou em locais públicos. Ou seja, a garantia de uma alimentação adequada para bebês e crianças passa pelo compartilhamento de responsabilidades com o poder público, empregadores e familiares. Resumir a amamentação ao ato de amor, unicamente, é desconsiderar a pressão imposta às mulheres e quanto essa atribuição moral resulta no adoecimento de muitas de nós. Amamentar nem sempre é algo possível, seja por alguma condição física ou estrutural, por isso, nesse Agosto Dourado – que busca promover o aleitamento exclusivo até o 6º mês de vida, se estendendo até os dois anos ou mais – o Isso é SUS aborda mais uma iniciativa que é referência mundial: a Rede de Banco de Leite Humano (rBLH).

Conheça essa importante articulação que permite o combate à desnutrição e à mortalidade infantil, em especial à mortalidade neonatal!

Sobre a Rede de Banco de Leite Humano (rBLH)

O primeiro Banco de Leite Humano (BLH) foi implantado no então Instituto Nacional de Puericultura – atual Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – em 1943. A expansão dessa iniciativa ocorreu, sobretudo, na década de 1990 em decorrência da criação do SUS.  

Em 1998, como ação estratégica da Política Nacional de Aleitamento Materno,  foi criada, em parceria entre o Ministério da Saúde (MS) e a Fundação Oswaldo Cruz, a Rede de Banco de Leite Humano. 

Coordenada pelo MS e pela Fiocruz, a rBLH é sediada na própria Fiocruz, com suporte técnico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira e do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, que também compõem a Fundação. Já a elaboração de critérios para implantação e implementação das unidades de BLH ficam com o Ministério da Saúde. 

Ou seja, a Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) é a instância que articula com o SUS a implantação e implementação das ações definidas na Política Nacional de Aleitamento Materno, conforme estabelecido pela Portaria nº 2.193

A Rede de Banco de Leite Humano é a maior e mais complexa Rede de Banco de Leite do mundo! Modelo para outros países, a rBLH-BR foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2001, como uma das principais ações para redução da mortalidade infantil no mundo na década de 1990. 

Como funciona

A Rede possui um controle rigoroso até a distribuição de leite materno. Para isso, o SUS desenvolveu um modelo tecnológico que alia baixo custo à alta qualidade. Ao BLH cabem as atividades de coleta, processamento e controle de qualidade do leite produzido – seja do colostro, do leite de transição e do leite humano maduro – para distribuição, sob prescrição do médico ou nutricionista, a bebês recém-nascidos e de baixo peso.

Além disso, a distribuição do leite humano contempla as necessidades únicas de cada bebê, aumentando a eficácia da iniciativa para a redução da mortalidade neonatal e o protegendo contra doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. 

Além de coletar, processar e distribuir leite humano, cabe à Rede também oferecer o atendimento para orientação e apoio à amamentação.

Onde encontrar

A rBLH está presente em todo o território nacional e contempla mais de 220 Bancos de Leite Humano e 210 postos de coleta de leite humano distribuídos entre os 26 estados e o Distrito Federal. Se você conhece alguém que está com dificuldade de amamentar ou que está com grande produção de leite, indique o Posto de Coleta ou Banco de Leite mais próximo. Confira aqui a lista completa! 

 

Referências:

https://rblh.fiocruz.br/

https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/02/brasil-e-referencia-em-doacao-de-leite-materno

Isso é SUS: O Sistema Único de Saúde é uma conquista da organização e da força do movimento social brasileiro. O SUS vai além da lógica de controle e tratamento de doenças, sendo responsável pela articulação de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde de toda população – incluindo quem paga plano de saúde. Pensando na grandiosidade do nosso SUS, o Isso é SUS é um espaço em que traremos, mensalmente, diferentes políticas, programas e estratégias dessa política de saúde. Já que o SUS é um patrimônio nosso, nada mais justo do que o conhecermos melhor, não é mesmo?

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