Pneumonia, VSR e influenza: Por que tantas crianças estão doentes agora no fim do ano?

Especialistas registram aumento no número de casos de doenças respiratórias nas crianças; saiba mais

A pequena Sofia, de quatro aninhos, estava bem de saúde até que, durante uma madrugada de novembro, começou a apresentar febre. “Fui medicando a pequena, mas a temperatura não baixava. Fui ao hospital e fizeram exames. Deu Influenza A. Agora estou dando paracetamol a cada 6 horas, fazendo limpeza do nariz e inalação”, explica a mãe, Renata Okumura. A filha caçula, Luiza, de um ano, acabou pegando o vírus também, mas de forma mais leve.

Além da Influenza A, muitos pequeninos estão sofrendo com doenças respiratórias em plena primavera. Um dos quadros registrados por médicos são os de casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que podem causar manifestações agudas de doenças do trato respiratório superior e inferior, acometendo principalmente crianças menores de 2 anos de idade.

“Está tendo uma mudança na sazonalidade da doença, porque o Vírus Sincicial Respiratório, antes da pandemia, tinha um aumento importante no outono e inverno, principalmente a partir do final de maio, junho, julho, quando tinham os casos de bronquiolite por VSR. Atualmente, o que a gente está vendo é esse aumento no número de VSR fora da época habitual, talvez até pelo fato de as crianças terem ficado muito tempo isoladas”, analisa a pediatra formada pela Santa Casa de São Paulo Denise Kanarek, mestre em Pediatria pela USP.

O Vírus Sincicial Respiratório é responsável por grande número de casos de bronquiolite viral aguda, chegando à marca de 64% dessas infecções no Brasil. O VSR é um dos principais causadores da bronquiolite, que leva a uma infecção dos bronquíolos. Começa como um resfriado e, por volta do terceiro ao quinto dia de evolução, tem uma piora do quadro.

Apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, as hospitalizações são comuns. “A criança tem dificuldade respiratória, uma dispneia, e que muitas vezes leva a uma queda da oxigenação e precisa ficar internada para fazer a parte de fisioterapia respiratória para não ter acúmulo de secreção e não formar uma pneumonia secundária”, explica a especialista.

Em outubro, o Boletim Infogripe do Ministério da Saúde mostrou que Alagoas é um dos dez estados que registram crescimento moderado na tendência de longo prazo de casos de Vírus Sincicial Respiratório entre crianças e adolescentes. Amazonas, Amapá, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e São Paulo também são citados no estudo.

A pediatra Denise Kanarek alerta que, além do VSR, houve aumento de casos de adenovírus, rinovírus, parainfluenza e influenza nos meses de setembro e outubro.

Qual a diferença entre VSR e pneumonia?

A pneumonia é uma infecção do alvéolo e pode ser viral, bacteriana ou fúngica, como esclarece a pediatra Denise Kanarek: “É um mecanismo de ação diferente da bronquiolite. Na bronquiolite, os bronquíolos, aqueles “canaizinhos” por onde passam o ar, ficam como se fossem entupidos, com diâmetro diminuído, dificultando a passagem de ar. A pneumonia é uma consolidação do parênquima pulmonar. É o pulmão que fica acometido com uma infecção e, com isso, tem uma dificuldade nas trocas gasosas. Os agentes mais frequentes de pneumonia em crianças são: pneumococos e haemophilus”.

Para prevenir os pequenos de doenças respiratórias, alguns cuidados são necessários. A médica aconselha os adultos a ‘blindarem’ as crianças: “Eles precisam se cuidar e não levar infecções para dentro de casa, principalmente para as crianças que não estão na creche ou escola. Também é preciso usar máscaras fora de casa, porque agora está voltando a covid, ne?”.

Outra dica importante é manter a casa limpa e bem arejada durante o dia, fazer a lavagem nasal adequada nas crianças para tirar todas as partículas de pó, ácaros e vírus que ficam na mucosa e que podem levar o aparecimentos de infecções e processos inflamatórios.

Denise Kanarek acrescenta que é importante investir em uma boa alimentação, com frutas, verduras e legumes. A especialista lembra a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês para bebês, que recebem anticorpos importantes nesse processo. Além disso, atualizar a carteirinha de vacinação. Se a criança apresentar sintomas de doenças respiratórias, evitar levar para creche, escolas ou outros ambientes de convívio social até a recuperação.

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