17.01.2025 Saúde Mental

Estresse e ansiedade influenciam o sistema imunológico?

Por CDD

Doenças autoimunes e saúde mental: como o estresse e a ansiedade influenciam o sistema imunológico?

Pesquisadores da Universidade de Cambridge e do King’s College London conduziram um estudo revelador sobre a saúde mental de pacientes com doenças autoimunes crônicas. De acordo com a pesquisa, mais da metade dos participantes relatou enfrentar distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão. Mas, nas consultas médicas, raramente ou nunca são feitas perguntas sobre seu estado mental.

O levantamento teve publicação na revista científica Rheumatology, em julho de 2023. Ele incluiu 1.853 pacientes e destacou os seguintes dados: 89% relataram fadiga extrema, 70% tinham disfunções cognitivas, 57% sofriam de ansiedade e 55% de depressão (fonte).

O que você verá nesse artigo:

O que são doenças autoimunes? 

As doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, começa a atacar os tecidos saudáveis. Esse desequilíbrio imunológico, desencadeado por fatores genéticos, infecções e o próprio estresse emocional, pode resultar em manifestações que afetam diversos órgãos, inclusive o sistema nervoso central.

Sendo assim, o diagnóstico dessas condições é complexo e não se baseia em um único exame. Ele envolve uma investigação detalhada, com análise de exames laboratoriais, históricos familiares e estilo de vida.

Além disso, o tratamento varia de acordo com o órgão acometido e a gravidade do caso. Em quadros de lúpus, quando há envolvimento do sistema nervoso central, o tratamento pode ser mais agressivo, visando interromper rapidamente a progressão da doença (fonte).

Qual o impacto do estresse crônico no sistema imunológico?

O estresse crônico desempenha um papel crucial no agravamento das doenças autoimunes, desencadeando um estado de inflamação prolongada. Ou seja, o estresse não “cria” a doença autoimune, mas pode causar manifestações físicas, como dores e desconfortos. Então a sua influência é capaz de desencadear sintomas em pessoas geneticamente predispostas.

Isso ocorre porque, quando o organismo se sente ameaçado. Então ele produz altos níveis de cortisol, popularmente conhecido como “hormônio do estresse”, a fim de se preparar para enfrentar a adversidade. Em quantidades adequadas, esse hormônio tem efeito anti-inflamatório, mas, quando liberado em excesso, pode gerar o efeito oposto: aumentar a suscetibilidade a inflamações.

Assim, períodos prolongados de estresse podem literalmente inflamar o organismo. Dessa forma, o estresse é um dos principais fatores que desregulam o sistema imunológico, criando um desequilíbrio que pode ativar essas doenças em pessoas predispostas. Por outro lado, essas condições também aumentam o estresse, elevando o risco de quadros depressivos e ansiosos. Quanto mais sistêmica for a doença autoimune, maior é a probabilidade de apresentar problemas neuropsiquiátricos, de acordo com especialistas (fonte).

Como o estresse afeta o sistema imunológico?

Ansiedade e depressão são catalisadores de crises autoimunes?

A relação entre doenças autoimunes e saúde mental é complexa, já que o estresse emocional pode ser um fator desencadeante para essas condições, exacerbando os sintomas em indivíduos já predispostos geneticamente. Embora nem todos os pacientes com ansiedade ou depressão desenvolvam doenças autoimunes, há uma ocorrência maior de distúrbios emocionais entre aqueles que sofrem dessas condições.

Portanto, esses transtornos não apenas afetam o bem-estar emocional, mas também podem intensificar os sintomas físicos.

Conheça a relação entre saúde mental e condições de pele

Efeitos da ansiedade e depressão:

Qual é a importância de suporte psicológico?

O acompanhamento psicológico é essencial para ajudar pacientes a lidar com os desafios das doenças autoimunes. Para isso, os psicólogos têm diversas técnicas disponíveis para ajudar, com linhas terapêuticas diferentes e muitas vezes mais indicadas para situações distintas. Logo, há muitos caminhos para iniciar o cuidado com a saúde mental.

Benefícios do suporte psicológico:

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também é uma fonte valiosa de apoio emocional. Ele oferece atendimento gratuito e sigiloso por meio do telefone 188 ou do site (CVV).

Ainda que procurar um profissional não seja uma possibilidade para você em decorrência do custo, existem alguns recursos acessíveis, como atendimento em universidades e serviços de voluntários. Esses serviços podem ser cruciais para aqueles que buscam apoio para sua saúde mental.

A Universidade de São Paulo, por exemplo, oferece diferentes tipos de auxílio e o Plantão de Acolhimento Psicológico proporciona escuta e cuidado em momentos emergenciais. Além dela, a Clínica Psicológica “Ana Maria Poppovic”, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, proporciona serviços clínicos abrangentes e abertos a indivíduos de todas as faixas etárias, que incluem: diagnóstico, aconselhamento e psicoterapia com base em várias abordagens teóricas.

Dicas de autocuidado e terapias complementares

Além do tratamento médico e psicológico, existem práticas que podem auxiliar no manejo das doenças autoimunes. O equilíbrio é fundamental para a saúde do corpo e da mente.

Então, o estilo de vida, hábitos saudáveis, controle do estresse e a prática regular de exercícios físicos são pilares para prevenir o desenvolvimento de doenças autoimunes e melhorar a qualidade de vida dos que já enfrentam essas condições. Além disso, o autocuidado, especialmente para as mulheres, evita a sobrecarga emocional e o esgotamento físico.

A busca por esse equilíbrio envolve uma abordagem integrada, com o apoio de diferentes especialistas, que vai além dos medicamentos. Portanto, cuidar da saúde emocional e física é uma necessidade contínua e deve ser priorizada no dia a dia (fonte).

A conexão entre doenças autoimunes e saúde mental é indiscutível. Assim, destaca-se a importância de um tratamento que integre cuidados físicos, emocionais e sociais. Portanto, uma abordagem multidisciplinar, que envolva especialistas e uma rede de suporte, pode transformar a experiência do paciente, ajudando a gerenciar os sintomas e promovendo maior qualidade de vida.

Além do acompanhamento médico e psicológico, práticas de autocuidado, formação de vínculos, revisão de propósitos e a busca por equilíbrio no dia a dia são indispensáveis. Então busque recursos acessíveis, como atendimentos em universidades e serviços voluntários. Eles também desempenham um papel crucial porque ampliam o alcance do cuidado para quem mais precisa.

A CDD defende que cuidar da saúde mental é tão importante quanto tratar os aspectos físicos das doenças autoimunes. Se você enfrenta desafios, procure apoio! Organizações como o CVV oferecem suporte emocional gratuito e sigiloso. Lembre-se: sua jornada importa e cada passo em direção ao autocuidado contribui para uma vida mais plena e saudável.

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