No dia em que comemoramos o Dia Nacional da Visibilidade Trans, contra a transfobia no país, trazemos um trecho do Dossiê A geografia dos Corpos das Pessoas Trans, publicado em 2017 e que já trazia números alarmantes sobre a saúde mental e emocional da nossa população

 

A INCIDÊNCIA DO SUICÍDIO NA POPULAÇÃO TRANS

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil suicídios foram registrados em 2015 em todo o mundo, dos quais 75% em países de média e baixa renda. O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking de países com maior incidência de suicídios, superando o número de 12 mil casos por ano. 

O suicídio é uma das causas mais recorrentes das mortes de travestis, mulheres transexuais e homens trans do Brasil nos últimos tempos. A maioria dos casos ocorre entre jovens de 15 a 29 anos, sobretudo entre pessoas do gênero feminino. É apontado como um grave problema de saúde pública. Todavia, entre a população trans ainda faltam dados, debates e pesquisas. De modo recente, um relatório chamado “Transexualidades e Saúde Pública no Brasil”, do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT e do Departamento de Antropologia e Arqueologia, revelou que 85,7% dos homens trans já pensaram em suicídio ou tentaram cometer o ato (LUCON, 2016). 

A ONG estadunidense National Gay and Lesbian Task Force assinala que 41% das pessoas trans já tentaram suicídio nos EUA em algum momento, contra 1,2% da população cisgênerx (aquela que não é trans). Uma pesquisa do Instituto Williams de Los Angeles publicada em 2014 estimou que 41% das pessoas trans já tentou cometer suicídio, enquanto a porcentagem entre a população geral é de 4,6%. Já uma pesquisa da Universidade de Columbia nos Estados informa que o índice de suicídio é 5 vezes mais frequente entre LGBT (LUCON, 2016). 

Os números do Instituto Williams (UCLA) mostram-se ainda mais alarmantes quando alguns fatores demográficos são levados em conta: 45% das tentativas de suicídio acontecem entre jovens de 18 a 24 anos; 54%, entre pessoas que se declaram multirraciais. Ainda de acordo com o estudo, entre as principais motivações para tentativa de suicídio, além da condição mental, estão as experiências de perseguição, assédio, violência, discriminação e rejeição, fatores que, juntos, levam o indivíduo a um estado de maior vulnerabilidade (OLIVEIRA, 2016). 

Quando se fala em saúde da comunidade trans e travesti, é comum pensar em doenças sexualmente transmissíveis, como se toda saúde dessa população se resumisse a isso. A Portaria nº 2.836, de 1º de Dezembro de 2011, do Ministério da Saúde, cria a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, e estabelece em seu art. 2º, entre outros, o seguinte objetivo:

XX – reduzir os problemas relacionados à saúde mental, drogadição, alcoolismo, depressão e suicídio entre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, atuando na prevenção, promoção e recuperação da saúde. 

No ano de 2016, reportamos 12 casos de suicídio relatados por meio das redes sociais e meios de comunicação. Sabe-se que esse número é ínfimo, perto da realidade do nosso país, uma vez que, segundo Andrade (2013), essa população não existe, e torna-se invisível para o governo, sociedade e movimentos sociais, salvaguardando raras e modestas iniciativas. A prevenção ao suicídio é uma emergência, uma vez que já faz parte dos objetivos da política nacional de saúde. 

O suicídio é cada vez mais um fenômeno social de importância em todas as sociedades pelo mundo a fora. Cada vez mais pessoas enveredam pelo caminho da morte voluntária, e nem sempre se consegue compreender por quê. Esse número vai aumentando sobretudo entre os jovens, o que resulta em um problema social referente não só aos que se suicidam, mas também aos seus familiares.

 

Fonte: Rede TransBrasil

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