23.09.2026 Dermatite Atópica

Setembro Lilás: o que muda para quem vive com dermatite atópica no Brasil

Por CDD

O dia 23 de Setembro é marcado pelo Dia Nacional de Conscientização sobre a Dermatite Atópica. A data existe pela Lei nº 14.916, sancionada em 2024 e faz parte do Setembro Lilás, mês dedicado às campanhas de conscientização e iniciativas para ampliar o conhecimento sobre a doença. É também uma janela importante para revisitar marcos importantes ligados ao acesso e ao cuidado.

Diante desse contexto, o marco mais recente para  dermatite atópica foi em 28 de Novembro de 2025, com a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) atualizado, pelo Ministério da Saúde. Quase um ano depois, vale entender o que essa atualização mudou na prática e o que ainda precisa avançar.

O que é a dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele. Não é contagiosa. Costuma aparecer na infância, mas pode continuar ou surgir na vida adulta. Ela nasce do encontro de três fatores: a genética (histórico na família), uma barreira da pele mais frágil, que perde umidade e fica mais reativa, e um sistema de defesa do corpo mais sensível a estímulos do dia a dia.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), no Brasil, a dermatite atópica afeta de 15% a 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos. Em muitos casos, vai além da pele: pode causar coceira intensa, problemas de sono, dor, infecções e impacto emocional. Quando é moderada ou grave, deixa de ser “uma alergia da pele” e passa a interferir na vida escolar, no trabalho, nas emoções e nas relações sociais.” 

O que mudou com o novo PCDT, publicado em novembro de 2025

Mas, afinal, o que é o PCDT? A sigla significa Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, um documento que orienta o passo a passo para tratar uma doença pelo SUS. Ele é elaborado pelo Ministério da Saúde, avaliado, aprovado e publicado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), responsável pela avaliação de tudo que será disponibilizado pelo SUS, como medicamentos, vacinas, exames, procedimentos e protocolos.

O PCDT é importante porque define os critérios de diagnóstico, tratamento, doses e acompanhamento do efeito de cada terapia. Ele também decide o que chega às farmácias do SUS: para retirar um medicamento pelo sistema público, ele precisa estar incluído no PCDT daquela doença. Isso importa porque, muitas vezes, o custo do medicamento é alto e parte da população não consegue pagar por conta própria.

Os PCDT são revisados com frequência, porque acompanham as evidências científicas. Quando uma nova medicação é aprovada para inclusão no SUS, ou quando pesquisas mostram que um tratamento não funciona como esperado, o protocolo pode ser atualizado.

E você também pode participar dessas atualizações: quando um PCDT está em Consulta Pública (CP), qualquer pessoa pode enviar sua opinião pelo site da Conitec (conitec.gov.br/consultas-publicas). É rápido, simples e feito por formulário online.

Nos últimos dois anos, o protocolo de dermatite atópica ganhou reforços importantes:

Na prática, isso amplia as possibilidades de cuidado para quem vive com as formas mais intensas da doença, sempre a partir da avaliação de um profissional de saúde, já que cada pessoa tem uma relação diferente com a dermatite atópica.

Da incorporação ao acesso: o que ainda falta percorrer

A CDD entende e valoriza que a atualização e publicação do PCDT é um avanço real. Entretanto, compreende e sabe, pela experiência de quem convive com doenças crônicas, que existe uma distância entre uma tecnologia estar incorporada ao SUS e ela chegar de fato às mãos de quem precisa.

A legislação que rege a Conitec, a comissão responsável por essas incorporações, estabelece prazos máximos para avaliar e concluir cada processo. A ideia é evitar que a indefinição administrativa atrase o acesso a tratamentos já aprovados. Ainda assim, os prazos para a dispensação dos medicamentos incorporados nem sempre são cumpridos.

Além disso, há diferentes responsáveis pela aquisição dos medicamentos. Alguns são de responsabilidade do Ministério da Saúde, outros das Secretarias Estaduais de Saúde. Com isso, observa-se uma disparidade no acesso entre os estados, pois alguns se antecipam, se preparam e conseguem seguir com a aquisição de medicamentos antes de outros.

Por isso, defendemos maior transparência: a população tem o direito de acompanhar em que etapa está cada processo, quais são os prazos e o que ainda falta para o cuidado chegar até as unidades de saúde.

Os desafios que continuam

Para além da problemática dos prazos, alguns desafios seguem centrais para quem vive com dermatite atópica no Brasil:

Quando o cuidado atrasa ou é interrompido, os riscos aumentam: piora dos sintomas, infecções secundárias, noites maldormidas, mais estresse. A médio e longo prazo, a pele pode sofrer alterações permanentes. E o impacto não para na pele: fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração podem atrapalhar o desempenho na escola e no trabalho.

Há também uma dor que nem sempre aparece nas estatísticas: a autoestima. Conviver com lesões visíveis, coceira constante e a necessidade de explicar a própria pele para os outros pode desgastar a forma como a pessoa se relaciona com o próprio corpo e com o mundo ao redor. Não é incomum que pessoas com dermatite atópica relatem impactos na autoestima, que podem se conectar com ansiedade e depressão, um lembrete de que cuidar da pele também é cuidar da saúde emocional.

Por que precisamos falar sobre isso

A dermatite atópica é uma doença que afeta milhões de pessoas e ainda carrega o peso de ser vista como algo “simples” ou uma questão de estética. Essa visão simplificada dificulta o diagnóstico, atrasa o cuidado e alimenta o preconceito. É comum que pessoas que vivem com doenças crônicas normalizem sintomas que impactam diretamente sua qualidade de vida, e passem a viver com um parâmetro diferente do que é “estar bem”. O Setembro Lilás e o Dia Nacional reforçam essa luta: a dermatite atópica é uma condição crônica, com forte impacto na vida cotidiana, e merece ser tratada com a seriedade que tem, pois é possível cuidar, tratar e controlar a doença.

A CDD reforça: defendemos o acesso célere às tecnologias já incorporadas pelo SUS e maior transparência sobre prazos e pendências do processo. Informação de qualidade também é uma forma de cuidado. 

Para acompanhar essas novidades de perto, siga a CDD nas nossas redes sociais @cddcronicos é lá que compartilhamos, sempre, conteúdos, campanhas e atualizações sobre dermatite atópica.

Fontes

Lei nº 14.916, de 8 de julho de 2024 — Diário Oficial da União.

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Dermatite Atópica, atualizado em 28/11/2025.

Portarias SECTICS/MS nº 48/2024; SCTIE/MS nº 18/2025, nº 31/2025 e nº 17/2025.

Documento interno CDD: “Dermatite Atópica | Atual contexto brasileiro”.

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