Tuberculose e DPOC: apesar de distintas, doenças têm interferência uma na outra

E mais: qual a relação entre tabagismo, DPOC e tuberculose pulmonar?

Tuberculose é uma doença infecto contagiosa transmitida pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis de forma aerógena através de gotículas de saliva infectadas eliminadas pela tosse, fala ou riso. Trinta países são responsáveis por 80% da carga de tuberculose no mundo e o Brasil é o 16º.

A tuberculose no Brasil

Em 2020 no Brasil foram notificados 68.271 casos e 4600 óbitos. Este número de óbitos é inadmissível quando estamos diante de uma doença que tem tratamento e cura de 98% dos casos. Segundo a médica Marcia Telma Guimarães Savioli, o Brasil tem um bom Programa Nacional para Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde mas vem enfrentando dificuldades inclusive de recursos humano e financeiro. Na  década de 1980, surgiu um fator agravante que foi a associação da co-infecção tuberculose-HIV, que elevou de forma significativa o número de casos”. Em 2015 a Organização Mundial da Saúde lançou, lançou uma Estratégia pelo Fim da Tuberculose onde o Brasil se engajou mas devido a pandemia COVID-19  houve um retrocesso nas metas que deveriam ser atingidas”, analisa Marcia Telma Guimarães Savioli, doutora e professora em Pneumologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e especialista em Pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologia. 

De acordo com a médica, que também foi tisiologista no Instituto Clemente, Centro de Referência em Tuberculose da Secretaria do Estado de São Paulo, estudos sugerem que o adoecimento por TB resulta da relação entre determinantes provenientes de três diferentes níveis: a comunidade, o ambiente domiciliar e características individuais. Deste modo, os padrões de vida em uma comunidade confirmam a posição socioeconômica domiciliar, que, por sua vez, influencia nas oportunidades individuais em termos de educação, ocupação, qualidade da habitação e interações sociais.

“Após a transmissão do bacilo pelas vias aéreas do doente para o contato, este poderá evoluir para doença tuberculosa ou apenas provocar a infecção, chamada de Infecção Latente da tuberculose (ILTB). Estes indivíduos infectados são assintomáticos e desta forma não são transmissores, mas podem, no futuro, adoecer e assim manter a transmissão”, explica.

Existem duas formas de tuberculose: pulmonar e extrapulmonar. “Cerca de 85% dos casos se apresentam na forma pulmonar e o restante extrapulmonar, que pode ser em qualquer órgão como rim, ossos, pele, sistema nervoso central, pleura, pericárdio, olhos. Será dado foco na Tuberculose Pulmonar Bacilífera devido sua alta frequência e a única responsável pela transmissão e manutenção da doença”, detalha Marcia Telma Guimarães Savioli.

Os principais sintomas da Tuberculose Pulmonar são: tosse seca ou produtiva, febre e suor vespertino ou noturno, emagrecimento. Pode também ter hemoptise, isto é, perda de sangue.  A apresentação clínica na criança e no idoso pode ser muito grave pois, nos dois extremos de idade, a imunidade pode estar comprometida.

“Sendo a tosse o sintoma mais frequente torna-se necessário a Busca Ativa do Sintomático Respiratório de modo proporcionar um diagnóstico precoce, tratamento adequado e assim interromper a cadeia de transmissão. É conhecido por todos que tosse persistente com mais de três semanas deve-se procurar um serviço de saúde. O diagnóstico da tuberculose é feito na maioria dos casos pelo achado do bacilo no escarro e radiografia de tórax mas outros recursos podem ser necessários”, conclui a especialista.

O tratamento da TB é gratuito composto de quatro fármacos de uso oral, por seis meses, e oferecido tratamento diretamente observado (TDO). “A falta de adesão ao tratamento permitiu o surgimento da forma de TB multidroga resistente, com tratamentos com cinco com cinco ou mais drogas, algumas injetáveis, com duração de 18 meses, com mais efeitos colaterais e menor taxa de cura”, observa a especialista.

O cuidado integrado ao tratar da tuberculose deve abordar os casos etilismo, tabagismo, uso de substâncias psicoativas e outras comorbidades. Outros fatores também facilitam o desenvolvimento e transmissão da TB como: desnutrição, moradia precária com muitos moradores e sem ventilação.

Qual a relação entre tabagismo, DPOC e tuberculose pulmonar? 

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, conhecida como DPOC, ocorre devido a uma associação de inflamação nas pequenas vias aéreas (bronquiolite respiratória) e destruição parenquimatosa (enfisema). Os sintomas são insidiosos e  persistentes com tosse produtiva e dispneia que piora com exercício, e tendem a aumentar em frequência e intensidade ao longo do tempo, com episódios de agravamento que duram geralmente alguns dias (exacerbações) podendo necessitar internação hospitalar.

“O tabagismo é o principal fator para o desenvolvimento da DPOC, que consequentemente determina uma lesão estrutural pulmonar prejudicando a defesa contra o bacilo e assim permitindo implantação do bacilo no pulmão. Então, deve ficar claro que a DPOC e a tuberculose são duas doenças distintas, porém uma tem interferência na outra”, esclarece Marcia Telma Guimarães Savioli, doutora e professora em Pneumologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A TB não aumenta o risco de ter DPOC, mas o contrário é verdadeiro: ter Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica aumenta o risco de ter tuberculose”, acrescenta.

A médica ressalta que as principais formas de prevenção são:

  1. Uso da vacina BCG que é obrigatório no Brasil até o 2º mês de vida da criança.
  2. Uso de fármacos para tratar indivíduo que não adoeceu mas se infectou (ILTB).
  3. Outra forma de prevenção é o controle dos contatos de indivíduos com um paciente com Tuberculose Pulmonar Bacilífera.
  4. Melhorar indicadores socio econômicos também é uma forma de prevenção.

Nas unidades de saúde o acolhimento ao paciente e seus contatos com todas suas peculiaridades individuais é de vital importância para adesão ao tratamento e consequentemente atingir a cura e assim eliminar a transmissão.

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