11.12.2023 Saúde Pública

Doenças crônicas e transplante de órgãos: quem pode doar ou receber? 

Por CDD

Existem 66.250 pessoas no Brasil na fila de espera para transplante de órgãos

Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde contabiliza 66.250 pessoas no Brasil na fila de espera para transplante de órgãos. Neste ano, quase 16 mil procedimentos foram realizados em todo País. De 1 de janeiro a 27 de agosto, 72 dos 264 pacientes que realizaram a cirurgia foram atendidos no intervalo de um mês. Em caso de morte, para ser um doador, é preciso uma autorização da família. 

Para doar alguns órgãos ainda em vida, é preciso ser familiar até quarto grau, cônjuge ou através de autorização judicial. “Existem alguns órgãos em que isso é possível e o mais comum é o rim, porque nascemos com dois e dá para viver com metade da sua massa renal. Ou até um pedaço do pulmão”, explica Tainá de Sandes Freitas, coordenadora do Departamento de Transplante Renal da ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. 

A médica acrescenta que, para ser doador nesses casos, o principal requisito é de que a pessoa seja muito saudável. “E não só hoje, mas que não tenha fatores de risco para ficar doente no futuro. Por exemplo: no caso do rim, uma pessoa que tem diabete e com risco de que o rim seja afetado ao longo do tempo, então, não pode doar, pois provavelmente precisará deste órgão no futuro”. 

Como funciona o sistema de transplante de órgãos no Brasil

No caso de pessoas com diabetes, não é possível doar o pâncreas, pois é responsável pela produção de insulina. Porém, fígado, córneas e tecidos podem ser aproveitados. 

Na avaliação da nefrologista Tainá de Sandes Freitas, existem poucos motivos para que uma pessoa com doenças crônicas não doe órgãos diante da morte. “Vou dar vários exemplos: se você tem DPOC, nada impede de doar um rim. Provavelmente não poderá doar o pulmão, dependendo da condição e talvez não dê para doar o coração, mas nada impede de doar pâncreas, córneas, tecidos. Se você é hipertenso e não afetou o rim, pode doar praticamente todos os órgãos. Se tem uma doença de pele, só não vai doar a pele, mas pode doar todos os outros órgãos. E, claro, certamente tudo isso será avaliado pela equipe médica para saber o que poderá ser utilizado”, afirma. 

Já para que um paciente com doenças crônicas receba um órgão, também depende de avaliação médica, pois cada caso é um caso.

Espera na fila por transplante pode afetar a saúde mental

Tainá de Sandes Freitas, médica do Programa de Transplante Renal do Hospital Geral de Fortaleza e do Centro de Transplante Renal, aconselha: “Se declarar doador, independente de você poder ou não, de ter doença crônica ou não. Porque essa decisão vai ficar a critério de uma equipe médica. Hoje uma pessoa com HIV não pode doar, mas pode ser que daqui a alguns anos possa. Nos EUA já fazem. Doador com vírus C positivo em São Paulo não é aceito, porém, tem estados que sim. Converse com sua família e amigos. Metade das famílias no Brasil ainda recusa doar órgãos de seus mortos”. Confira a entrevista que a coordenadora do Departamento de Transplante Renal da ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos concedeu ao canal da CDD no Youtube

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