Plano de Ação para asma: o documento simples que pode reduzir as suas crises
Verde, amarelo, vermelho: entenda como funciona o plano que organiza o cuidado da sua asma em três zonas — e por que ele é um direito de quem convive com a condição.
O que é um Plano de Ação
Imagine saber exatamente o que fazer quando a asma começa a piorar. Não depois da crise instalada, não no meio do desespero do pronto-socorro — mas ali, no primeiro sinal, quando ainda dá tempo de agir.
É isso que um Plano de Ação faz.
Ele é um documento simples, de poucas páginas, preenchido junto com a equipe de saúde que acompanha você. Nele ficam registrados os seus medicamentos, as suas doses, os seus gatilhos e — o mais importante — o que fazer em cada situação: quando você está bem, quando os sintomas começam a piorar e quando é hora de buscar ajuda imediatamente.
Não é um documento genérico da internet. É o seu plano, com o seu nome, feito para a sua asma.
Como o plano organiza o cuidado: as três zonas
O Plano de Ação funciona como um semáforo. Ele divide o cuidado em três zonas, de acordo com a intensidade e a frequência dos sintomas. Você olha os sinais, identifica em qual zona está e segue o que foi combinado com a sua equipe para aquela zona.
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🟢 Zona verde — estou bem
É onde você quer estar na maior parte do tempo. Aqui, os sintomas estão controlados e a vida segue normal.
Você está na zona verde quando:
- Tem poucos ou nenhum sintoma durante o dia
- Dorme bem, sem acordar com tosse, chiado ou falta de ar
- Usa o inalador de alívio duas vezes por semana ou menos
- Faz as suas atividades habituais — incluindo exercício — sem limitação
O que fazer: manter o cuidado de manutenção em dia. É o inalador de uso diário, aquele que você toma mesmo sem sentir nada. Ele é o que segura a inflamação e evita a maior parte das crises. Parar de usar porque “está tudo bem” é justamente o que costuma trazer a crise de volta.
🟡 Zona amarela — atenção
Aqui os sintomas começaram a piorar. Não é emergência, mas é o momento de agir — e agir cedo é o que evita que a coisa escale.
Você entrou na zona amarela quando:
- Tem tosse, chiado ou aperto no peito com mais frequência
- Acorda à noite ou de manhã com sintomas
- Precisa do inalador de alívio mais de duas vezes por semana
- Está com alguma limitação para as atividades habituais
- Está com resfriado, virose ou exposição a um gatilho conhecido
O que fazer: aplicar os ajustes que foram combinados antes, na consulta. É por isso que o plano precisa estar preenchido com antecedência — na hora do sintoma, você não vai querer estar adivinhando. O plano também registra em quanto tempo reavaliar e a quem contatar se não melhorar.
Vale insistir num ponto: uma zona amarela bem manejada evita boa parte das idas ao pronto-socorro. É aqui que o plano mais salva o dia.
🔴 Zona vermelha — emergência
Aqui não há o que combinar: é hora de buscar atendimento.
Você está na zona vermelha quando:
- Sente falta de ar intensa, mesmo em repouso
- Tem dificuldade de falar frases completas sem pausar para respirar
- Os lábios ou as pontas dos dedos estão arroxeados
- O inalador de alívio não está fazendo efeito, mesmo usado corretamente
- Sente sonolência, confusão ou dificuldade de se manter acordada
O que fazer, conforme orientado no plano:
- Usar o inalador de alívio na dose de resgate orientada pela equipe
- Permanecer sentada, com o tronco ereto — não se deitar
- Se não melhorar em 5 a 10 minutos, repetir o inalador conforme a orientação
- Buscar atendimento ou ligar para o SAMU 192
SAMU · 192 — chamada gratuita, 24h, em todo o Brasil.
O plano também tem um campo para você anotar, com antecedência, para onde ir: a unidade de pronto atendimento e o hospital de referência mais próximos, com endereço. Na urgência, ninguém quer estar procurando isso no celular.
E a medida de sopro?
A medida de sopro — também chamada de pico de fluxo — mostra a velocidade com que você consegue soprar o ar para fora. Algumas pessoas usam um aparelho em casa para acompanhar a asma de forma mais objetiva.
Se você usa, o plano registra a sua melhor medida e os limites de cada zona: acima de 80% da sua melhor medida é zona verde; entre 60% e 80%, zona amarela; abaixo de 60%, zona vermelha.
Se você não usa, tudo bem: o plano funciona igualmente bem seguindo apenas os sintomas. A medida de sopro é um complemento, não uma exigência.
Por que o Plano de Ação faz diferença
Conviver com asma envolve muitas decisões pequenas, tomadas em momentos ruins. O sintoma piorou — aumento a medicação? Espero? Vou ao pronto-socorro? Ligo para a médica?
Tomar essas decisões no meio de uma crise, sozinha, é difícil. O Plano de Ação resolve isso invertendo a ordem: as decisões são tomadas antes, com calma, junto com quem entende do seu caso. Na hora do aperto, você não decide — você consulta.
É por isso que ter um plano terapêutico por escrito é reconhecido como parte do cuidado adequado de quem convive com uma condição crônica. Não é luxo. É o básico bem feito.
Como conseguir o seu
O Plano de Ação é preenchido junto com a sua equipe de saúde — não em casa, sozinha. Ele precisa da avaliação de quem acompanha o seu caso para registrar os medicamentos certos, as doses certas e os ajustes certos para você.
O caminho é simples:
- Baixe o modelo do Plano de Ação disponibilizado pela CDD (link abaixo)
- Imprima e leve à sua próxima consulta
- Preencha todos os campos junto com a sua médica ou o seu médico
- Mantenha uma cópia em local visível — na geladeira, num mural — e outra na bolsa ou no celular
- Revise o plano a cada consulta de acompanhamento: o cuidado muda com o tempo
Se você ainda não recebeu um plano de ação e convive com asma, vale levar essa conversa à consulta. Sair do consultório com um plano claro é um direito de quem vive com uma condição crônica.
Baixe o modelo
O modelo do Plano de Ação para Asma da CDD está disponível gratuitamente, em PDF, para imprimir e preencher. São 4 páginas, com campos para identificação, as três zonas, os contatos de emergência e a assinatura da equipe de saúde.
[Baixar o Plano de Ação (PDF)]
Este é um conteúdo educativo, baseado no PCDT da Asma (Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 17/2024), nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e no GINA Report. Ele não substitui a consulta nem o plano personalizado da equipe que acompanha você.
Fontes: PCDT da Asma (Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 17/2024) · Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) · GINA Report.