14.07.2026

Plano de Ação para asma: o documento simples que pode reduzir as suas crises

Verde, amarelo, vermelho: entenda como funciona o plano que organiza o cuidado da sua asma em três zonas — e por que ele é um direito de quem convive com a condição.

O que é um Plano de Ação

Imagine saber exatamente o que fazer quando a asma começa a piorar. Não depois da crise instalada, não no meio do desespero do pronto-socorro — mas ali, no primeiro sinal, quando ainda dá tempo de agir.

É isso que um Plano de Ação faz.

Ele é um documento simples, de poucas páginas, preenchido junto com a equipe de saúde que acompanha você. Nele ficam registrados os seus medicamentos, as suas doses, os seus gatilhos e — o mais importante — o que fazer em cada situação: quando você está bem, quando os sintomas começam a piorar e quando é hora de buscar ajuda imediatamente.

Não é um documento genérico da internet. É o seu plano, com o seu nome, feito para a sua asma.

Como o plano organiza o cuidado: as três zonas

O Plano de Ação funciona como um semáforo. Ele divide o cuidado em três zonas, de acordo com a intensidade e a frequência dos sintomas. Você olha os sinais, identifica em qual zona está e segue o que foi combinado com a sua equipe para aquela zona.

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🟢 Zona verde — estou bem

É onde você quer estar na maior parte do tempo. Aqui, os sintomas estão controlados e a vida segue normal.

Você está na zona verde quando:

O que fazer: manter o cuidado de manutenção em dia. É o inalador de uso diário, aquele que você toma mesmo sem sentir nada. Ele é o que segura a inflamação e evita a maior parte das crises. Parar de usar porque “está tudo bem” é justamente o que costuma trazer a crise de volta.

🟡 Zona amarela — atenção

Aqui os sintomas começaram a piorar. Não é emergência, mas é o momento de agir — e agir cedo é o que evita que a coisa escale.

Você entrou na zona amarela quando:

O que fazer: aplicar os ajustes que foram combinados antes, na consulta. É por isso que o plano precisa estar preenchido com antecedência — na hora do sintoma, você não vai querer estar adivinhando. O plano também registra em quanto tempo reavaliar e a quem contatar se não melhorar.

Vale insistir num ponto: uma zona amarela bem manejada evita boa parte das idas ao pronto-socorro. É aqui que o plano mais salva o dia.

🔴 Zona vermelha — emergência

Aqui não há o que combinar: é hora de buscar atendimento.

Você está na zona vermelha quando:

O que fazer, conforme orientado no plano:

  1. Usar o inalador de alívio na dose de resgate orientada pela equipe
  2. Permanecer sentada, com o tronco ereto — não se deitar
  3. Se não melhorar em 5 a 10 minutos, repetir o inalador conforme a orientação
  4. Buscar atendimento ou ligar para o SAMU 192

SAMU · 192 — chamada gratuita, 24h, em todo o Brasil.

O plano também tem um campo para você anotar, com antecedência, para onde ir: a unidade de pronto atendimento e o hospital de referência mais próximos, com endereço. Na urgência, ninguém quer estar procurando isso no celular.


E a medida de sopro?

A medida de sopro — também chamada de pico de fluxo — mostra a velocidade com que você consegue soprar o ar para fora. Algumas pessoas usam um aparelho em casa para acompanhar a asma de forma mais objetiva.

Se você usa, o plano registra a sua melhor medida e os limites de cada zona: acima de 80% da sua melhor medida é zona verde; entre 60% e 80%, zona amarela; abaixo de 60%, zona vermelha.

Se você não usa, tudo bem: o plano funciona igualmente bem seguindo apenas os sintomas. A medida de sopro é um complemento, não uma exigência.


Por que o Plano de Ação faz diferença

Conviver com asma envolve muitas decisões pequenas, tomadas em momentos ruins. O sintoma piorou — aumento a medicação? Espero? Vou ao pronto-socorro? Ligo para a médica?

Tomar essas decisões no meio de uma crise, sozinha, é difícil. O Plano de Ação resolve isso invertendo a ordem: as decisões são tomadas antes, com calma, junto com quem entende do seu caso. Na hora do aperto, você não decide — você consulta.

É por isso que ter um plano terapêutico por escrito é reconhecido como parte do cuidado adequado de quem convive com uma condição crônica. Não é luxo. É o básico bem feito.


Como conseguir o seu

O Plano de Ação é preenchido junto com a sua equipe de saúde — não em casa, sozinha. Ele precisa da avaliação de quem acompanha o seu caso para registrar os medicamentos certos, as doses certas e os ajustes certos para você.

O caminho é simples:

  1. Baixe o modelo do Plano de Ação disponibilizado pela CDD (link abaixo)
  2. Imprima e leve à sua próxima consulta
  3. Preencha todos os campos junto com a sua médica ou o seu médico
  4. Mantenha uma cópia em local visível — na geladeira, num mural — e outra na bolsa ou no celular
  5. Revise o plano a cada consulta de acompanhamento: o cuidado muda com o tempo

Se você ainda não recebeu um plano de ação e convive com asma, vale levar essa conversa à consulta. Sair do consultório com um plano claro é um direito de quem vive com uma condição crônica.


Baixe o modelo

O modelo do Plano de Ação para Asma da CDD está disponível gratuitamente, em PDF, para imprimir e preencher. São 4 páginas, com campos para identificação, as três zonas, os contatos de emergência e a assinatura da equipe de saúde.

[Baixar o Plano de Ação (PDF)]

Este é um conteúdo educativo, baseado no PCDT da Asma (Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 17/2024), nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e no GINA Report. Ele não substitui a consulta nem o plano personalizado da equipe que acompanha você.


Fontes: PCDT da Asma (Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 17/2024) · Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) · GINA Report.

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